quinta-feira, 24 de julho de 2014

ARIANO FEZ O ÚLTIMO ESPETÁCULO NA TERRA DE DOMINGUINHOS, FALECIDO HÁ UM ANO

O escritor paraibano Ariano Suassuna morreu aos 87 anos na tarde desta quarta (23), após uma parada cardíaca provocada por hipertensão intracraniana. Na sexta-feira (18), ele realizou a última aula-espetáculo e abriu as ações cênicas a um público que lotou o Teatro Luís Souto Dourado, durante o 24º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), no Agreste. A peça fez honras ao poeta Capiba e contava com artistas do Grupo Arraial. Em todos os 17 polos do evento, que segue até o sábado (26), a Secretaria de Cultura (Secult-PE) pedirá salva de palmas ao mestre.
Ariano ministrou a aula-espetáculo em tributo
ao poeta Capiba (Foto: Costa Neto/Secult-PE


Por meio da assessoria de imprensa, a Secult-PE lembra que na apresentação ele "falou sobre o poeta e jurista Tobias Barreto, nas palavras dele, um 'negro, pobre e feio' que, apesar de aprovado em diversos concursos públicos, não era nomeado para o cargo; citou Camões para ressaltar a beleza da língua portuguesa; lembrou-se do Google, do Twitter e reproduziu piada da internet sobre a derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo; pregou a liberdade e a justiça na busca de uma sociedade ideal, criticou o Super-Homem, 'o cristo americano'".
Plateia lotada no Festival de Inverno de Garanhuns para a aula-espetáculo de Ariano Suassuna, na sexta (18) Foto: Costa Neto/Secult


A data é marcante para os pernambucanos, principalmente para quem é desse município. Nesta quarta se completa exatamente um ano que o garanhuense Dominguinhos morreu, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O cantor e compositor faleceu em  decorrência de complicações infecciosas e cardíacas, após lutar durante seis anos contra um cancer de pulmão. Os restos mortais dele foram trasladados do Cemitério Morada da Paz, em Paulista, para o Cemitério São Miguel, em Garanhuns.
Ariano Suassuna será sepultado no mesmo cemitério de Paulista, nesta quinta-feira (24), depois de velório no Palácio do Campo das Princesas, no Recife.
Luto oficial
Izaías Régis, prefeito de Garanhuns, decretou três dias de luto oficial, assim como o governo do estado. "Numa triste coincidência, Ariano se foi no mesmo dia que, no ano passado, sofríamos com a perda do Mestre Dominguinhos, em pleno Festival de Inverno de Garanhuns. Dois grandes artistas que levaram a cultura popular e as histórias do Nordeste para o mundo", declarou em nota.
Ariano Suassuna e a  escritora Mariana Gueiros
O secretário da Secult-PE, Marcelo Canuto, e o presidente da Fundarpe, Severino Pessoa, afirmaram que "o Brasil perdeu o maior defensor de sua cultura popular. Mais que um criador de um movimento cultural, que batizou de Armorial, Ariano foi a própria síntese do que a gente chama de Cultura Brasileira, em suas mais diversas expressões: a música, o teatro, a literatura, as artes visuais, o cinema, o artesanato e arquitetura". Ainda para Canuto e Pessoa, "a obra de Ariano deve agora ser preservada por todos e difundida para que, como fez com suas aulas, seja aprendida e discutida, sirva sempre de inspiração e desafio para as novas gerações".
O governador João Lyra Neto lembrou que, neste mês, o país perde vários ícones da arte e da cultura. "É um dia muito triste para todos nós, pernambucanos, nordestinos e brasileiros, uma perda inestimável para nossa literatura e nossa cultura, que nesta mesma semana já havia sofrido as ausências de João Ubaldo Ribeiro e Rubem Alves, e ainda neste mês a perda de Ivan Junqueira".
A presidente Dilma Rousseff recordou momentos com o dramaturgo a e ressaltou que ele "foi capaz de traduzir a alma, a tradição e as contradições nordestinas em livros como 'Auto da Compadecida' e 'Romance d'A Pedra do Reino' e o 'Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta'". E completou: "a obra de Suassuna é essencial para a compreensão do Brasil".(Portal G1 Caruaru).

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