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Tuesday, June 24, 2014

JOSÉ ALVES TAVARES CORREIA (DR. TAVARES CORREIA)

Alberto da Silva Rêgo



Praça Dr. Tavares Correia, mais conhecida como Praça do
Relógio das Flores.

Chegou à cidade do Clima Maravilhoso em 1923, onde permaneceu até 1952 quando faleceu. Em 1924 inaugura o Instituto Médico Cirúrgico em consórcio com o colega G. Duarte Ribeiro. Avaliando as condições ecológicas do novo lar, situado num antiplano média de 900 m, alguns lugares ultrapassavam 1.000 m, possuindo um clima ameno, considerado "maravilhoso" e água potável como a inigualável "Serra Branca", tendo a vantagem  de ser uma região leiteira e capacitada para desenvolver amplamente a produção de plantas olerícolas, não falando das floríferas, além de estar firmando-se como um dos "polos de desenvolvimento" da região nordestina, e condições de se tornar uma das principais cidades turísticas do Brasil, programou e executou a construção de uma "clínica de repouso", ao molde em que vira no Sul do país, e, de certa forma, já iniciada na urbs garanhuense, com a instalação em 1927, pelos Drs. Luís Guerra e Carneiro Leão do Sanatório de Garanhuns com finalidade similar. Inaugurado em 1929 com a denominação de Sanatório Tavares Correia, contando com a colaboração do Dr. Lessa de Azevedo, recentemente chegado na "boa terra". Havia ali, uma sala com aparelhos destinados à aplicação de "ultra-violeta". Fui um de seus habitués.
Instituto Médico Cirúrgico inaugurado em 1924
Um dia meu pai me levou ao Dr.Tavares e Lessa para  diagnosticarem um tratamento específico à cura de uma cicatriz, localizada na minha região peitoral, oriunda de uma queimadura de 3º grau que, na época invernosa ficava bastante irritada e, por ser um tecido bastante fino, vivia a sangrar. Solução apresentada - operação de transplante de tecido das nádegas. Estavam capacitados para realizá-la. O velho não concordou com o uso da "faca". O Dr. Lessa então opinou pelo uso de "ultra violeta". Passei, então, a ir, todo dia, ao anoitecer (Garanhuns não tinha luz elétrica durante o dia) ao Sanatório a fim de receber o citado tratamento. Ora o Dr. Lessa, ora,  o Dr. Tavares me atendia e, então, é que a gente começava a perceber o valor do médico, na cordialidade para um jovem que vivia aflito, todo inverno, pois era a época em que a cicatriz "coçava" e sangrava e o tratamento que vinha realizando consistia no uso de esterco de curral (de bovinos), ainda quente, colocado sobre a cicatriz, numa extensão de uns 10/15 centímetros, que permanecia por cerca de uma hora. Depois, cuidadosamente, com água, retirado tal material.
Sanatório Tavares Correia inaugurado em 1929
Tavares Correia, jornalista por diletantismo, escreve em Tempos Novos (agosto de 1934), após a volta de uma excursão ao sul da Federação: "Quem viaja leva na imaginação essa curiosidade, insaciável e sofrega de conhecer e contemplar as novidades".
Como um obcecado, trouxe no pensamento o desejo ardente de contemplar os progressos da medicina, particularmente, da cirurgia, a ansiedade de percorrer os hospitais, estudando na grande lição do sofrimento humano, sem as graves preocupações que tanto inquietam o espírito do clínico ao assumir a tremenda responsabilidade da vida alheia, para enriquecer os seus conhecimentos na especialidade, a que me dedico, de cidadão e ginecologista.

Em outro trecho, Tavares Correia diz: "encontrei o meu mestre e amigo Dr. Malagueta, no hospital, na ocasião rodeado de  assistentes. também visitei o serviço do Dr. Brandão Filho e Mauriti Santos". E, assim termina: Visitei o Paulo Filho, médico natural de Garanhuns, e que se vem constituindo, no mundo oftalmológico do Rio, um nome de projeção científica. Ainda não tive o ensaio de visitar o seu serviço hospitalar, que sei merecer louvores. Voltarei ao assunto para mostrar que no Brasil, a medicina e a cirurgia vão bem adiantadas e contamos com serviços modelares em nada inferiores aos grandes serviços clínicos da Europa, Argentina e Norte América.

Tavares Correia em abril de 1934 dava início à publicação de um boletim médico, com edição quinzenal, contando com a colaboração de Eurico Lira, Lessa de Azevedo e outros. No mundo esportivo, onde excursionou, fez parte da Diretoria do  Comércio Sport Club. No orfanato evangélico era o clínico, sem ônus para as crianças desamparadas pelos pais.

O Dr. Lessa em 1934 deixava Garanhuns e se instalava em Maceió-AL. Deixou o seu cliente curado sem necessidade de faca. Era casado com Ecilia Barcelos de Azevedo Lessa.
Ex-Deputada  Federal
 Cristina Tavares
Tavares Correia e consorte Mercês tiveram quatro filhos. Pelos jornais da terra, na década de 1930, a gente vai tomando conhecimento do enriquecimento do lar do ilustre facultativo com o nascimento de; Maria Cristina (que foi Deputada Federal); Paulo Norberto (médico e hoteleiro), tendo por esposa Suzana Robalinho e os filhos - Ana Paula. José,  Carolina e Paulo José Robalinho Tavares Correia; Maria Lúcia (Línguas) e cônjugue Livio Xavier (advogado) e os rebentos - Isabel, Daniel, Adriana Tavares Correia Xavier; Ridete (arquiteta) e os filhos: Ana, Luís Ricardo e Cristina Tavares de Lira e José Tavares de Lira.(Fonte: Livro "Os Aldeões de Garanhuns", de Alberto da Silva Rêgo).

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