segunda-feira, 26 de maio de 2014

MEU SERTÃO EM DOZE VERSOS

Sandoval Ferreira - Poeta e Declamador - Foto Jornal Dac
Sandoval Ferreira


Tem coisas no meu sertão
Que eu morro sem esquecer
A minha primeira escola
Que aprendi a escrever
Os bolos da palmatória
E a cartilha de abc

Também não vou esquecer
Das festas de apartação
Do uniforme de couro
Perneira chapéu gibão
Das pegas de boi no mato
Pra derrubá-la no chão

Trago uma recordação
Das festas de vaquejada
Dos aboios dos vaqueiros
Cantando grandes toadas
Do galope dos cavalos
Em passeio, cavalgadas

Em junho festa animada
É o melhor São João
Tem pamonha e milho verde
Quadrilha, xote e baião
Músicas de vaquejada
Animam o meu coração

Lembro-me até da canção
Das noites enluaradas
Do primeiro beijo
Da primeira namorada
Das festas de lampião
Das noites de serenatas

Eu não esqueço de nada
E nem do rancho de palha
Foi ali que eu nasci
Era ali que mãe morava
Tocaram fogo no rancho
Nós quase que se acabava

Oh! Raça ruim da desgraça
Mas nós num se acabou não
Aumentamos a fé em DEUS
E mãe fazia oração
E criou os nove filhos
E acabou-se a afliação

E trago no coração
Os meus amigos de fé
O bairro bela vista
Capela de São José
Eu vou me lembrar de todos
No lugar em que estiver

Eu nunca fui o Pelé
Mas já joguei muita bola
No campo véio de barro
Bem pertinho da escola
Entrava meio atrasado
E sempre perdia a hora

Com fé em Nossa Senhora
Minha mãe acreditou
Que a sapiência é divina
E vem de Nosso senhor
É mulher analfabeta
Mas os filhos educou

Eu agradeço ao senhor
Por ter minha mãe querida
Pedaço do meu tesouro
Senhora da minha vida 
Uma sertaneja valente
Lutou e venceu na vida

Nunca negou comida
A quem estava por perto
Foi ela que me educou
Ensinou o que é certo
A assim conto a vocês
Meu Sertão em 12 versos.

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