segunda-feira, 21 de abril de 2014

PEDRO DA SILVA MAIA



Feira de Rapadura em Garanhuns, década de 1950.
Foto de Massillon Falcão

Pedro da Silva Maia, o caçula de Tomaz Maia, contemporâneo a amigo das peladas, é um dos personagens do presente relato. Algumas vezes, ele defendia, como guardião, as cores do Comércio. Na outra barra, para preencher alguma lacuna, eu ali me encontrava.

Independente de integrar ou não a equipe rubro-negra, após um "match" Sport-Comércio, geralmente realizado aos domingos, à tarde, se o segundo ganhasse, então eu estaria no "index" a fim de receber apupos de uma turma de garotos residente, na minha rua - duas casas abaixo moravam os Maia-Leite. Quando aconteceu o fato, pela primeira vez, houve, de minha parte, aquele "impacto". Sucedeu num domingo, ao sair de casa, após a "ceia". O Sport havia perdido o jogo para o Comércio. Displicentemente, passando em frente à casa do Sr. Leite, onde havia um ajuntamente de meninos, sentados na calçada e em cadeiras, - presentes o Pedro, Letícia, Olga e a gurizada de D. Eulália, ouvi o sussurro de uma estrepitosa "vaia", que não estava no "gibi"...

Bastante encabulado, eu tentei mudar de direção, apressando o passo (porque não confessar - correndo), procurando fugir de tal situação. Algo não  esperado. E o pior: ficou na rotina dos domingos em que o "Sport" entrava na "sola". E olga era a "comandante da orquestra". A solução foi mudar de roteiro, quando o Comércio conseguia a vitória.

Mas, passado o domingo, as amizades voltavam ao normal. Só no dia de "descanso do Senhor", quando os dois times rivais se defrontavam, (era sempre o clássico da cidade), é que a rixa aparecia. E como era "fervente" a torcida de lado a lado!

Há alguns anos encontrei o Pedro Maia. Aquela festa entre amigos. Disse-me, então: Ainda recordo aquele jogo - Comércio e Sport, em que fiquei danado da vida porque o Sport venceu 2x0 e você não deixou entrar nem "pensamento". "Fechou a barra".

Realmente, recordo-me, foi o jogo emocionante, em que, toda vez que fazia uma defesa, agarrando a bola firmemente, se havia algum adversário perto (lembro-me de um Silvestre, dizem que quem leva pancada nunca se esquece), era sempre contemplado com um pontapé. No final do "match" eu estava todo moído.

Apos o embate, vitorioso - dia em que não recebi vaia, fui convidado para uma pequena comemoração no bar Glória.

À noite, neste dia, no bar do Arnóbio, compareci. Só havia rubros-negros. Todo mundo eufórico. Os beberrões  estavam ali.

Os parabéns de Chico Leal, o treinador de cadeira cativa, sem luvas e sem salário, foram as dádivas do dia de "glória" com o corpo dolorido de muita pancadaria.

Ninguém sabe o "dia de herói"! Sucede imprevistamente. Da forma que chega, vai embora - como um meteoro. No  dia seguinte, ninguém comenta mais. Entra no esquecimento das cousas passadas. O que é bom é porque ficam as recordações sempre lembradas nas "horas da saudade"...(Fonte da Pesquisa: Livro "Os Aldeões de Garanhuns", de Alberto da Silva Rêgo)

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