The 3 Week Diet

Monday, March 10, 2014

GARANHUNS 203 ANOS

Por Igor Cardoso


Príncipe Regente D. João VI

Há exatos 203 anos, Sua Alteza Real, o então Príncipe-Regente D. João VI, aceitando uma sugestão do diligente governador de Pernambuco, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, criava, por Carta-Régia, a Vila de Garanhuns, momento em que o antigo Curato, Julgado e Freguesia de Santo Antônio dos Garanhuns de Ararobá, outrora Fazenda do Garcia da sra. Simoa Gomes d'Azevedo e, antes ainda, mocambo do Quilombo dos Palmares e tribo dos índios Guarás-Anuns, conquistava definitivamente sua autonomia política.

Por essa concessão do futuro Rei de Portugal, Brasil e Algarve, estabelecido no Rio de Janeiro, Garanhuns constituía-se como o segundo município mais antigo do Ararobá, região equivalente ao atual Agreste pernambucano (atrás apenas de Cimbres, hoje Pesqueira); e como o quinto mais antigo de todo o interior da Província (atrás de Assunção - hoje Cabrobó -, Santa Maria - da Boa Vista -, Cimbres e Flores, respectivamente), descontados aqueles das Comarcas das Alagoas e do São Francisco, posteriormente desmembradas de Pernambuco.

É curioso porque, de lá para cá, Assunção e Santa Maria, ilhas fluviais onde existiam antigas aldeias de índios, foram extintas e encampadas por Cabrobó e Boa Vista, situadas no continente; Cimbres feneceu e cedeu passo a Pesqueira; e Flores sucumbiu por um tempo ante a supremacia de Serra Talhada, vivendo ameaçada pelas temperaturas amenas e pela fertilidade de Baixa Verde (Triunfo). Todas declinaram, menos Garanhuns, que, apesar do ir e vir de ciclos de maior ou menor prosperidade, sempre ocupou papel de suma importância no Agreste Meridional, polarizando algumas dezenas de municípios menores - a maioria dos quais, filhos seus.

Carta Régia
Entretanto, até o ano passado, o 10 de março de 1811 permanecia imperdoavelmente esquecido. A partir de um equívoco de interpretação, comemorava-se o 4 de fevereiro de 1879, data de nossa elevação à categoria de cidade - o que, naquela época, nada tinha a ver com autonomia política, senão com honraria (era um título honorífico). Por essa outra data, Garanhuns seria surpreendentemente mais nova que municípios de si desmembrados, como Bom Conselho de Papacaça e São Bento do Una. Foi assim que os 200 anos da terrinha passaram batidos...

Mas um fruto bom adveio de todo esse imbróglio: o Instituto Histórico e Geográfico de Garanhuns. O mote da Data Magna equivocada e dos 200 anos negligenciados reuniu estudiosos nesta entidade que, após corrigir o erro crasso junto aos Poderes Municipais, hoje se inaugura. Hoje, justo hoje: 10 de março de 2014! Que o evento de hoje, dos nossos 203 anos, seja uma minimização da lacuna de 2011. E que o novo Guardião de nossa Memória saiba honrar a tradição de Simoa Gomes, Caetano Pinto, D. João VI, Barão de Nazaré, Ruber van der Linden, Sales Vila Nova e do imortal Alfredo Leite Cavalcanti.

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