segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

LUIS MAIA

1º avião que pousou no 1º Campo de Aviação de Garanhuns, em 19 de Abril de 1942.
        
Atuou no jornalismo, no teatro e se infiltrou na pintura modernista com os seus desenhos para ilustração de capas e artigos jornalísticos. Alto, magro, amante do jornal matuto, igual a Tiago Veloso, Josemir, Hibernon e outros, fundou jornais, revistas e companhias teatrais. E ainda figurou no Centro Severiano Peixoto, uma de suas ideias posta em prática.

            Em 1934 surge Luís Maia, gerente no “O combate”. Depois funda “A crítica” e o “Diário da Cidade”, ocupando o lugar de Diretor. Na qualidade de Secretário no “Jornal do Povo (1935). No Diário de Garanhuns começa a colaborar, em 1940, prosseguindo, no ano seguinte no “Garanhuns Diário”. Em 1940 edita a revista “A cidade”, na qualidade de Diretor, Jaime Luna – Secretário e Francisco G. Fernandes – Redator-chefe.

            Na arte cênica, inicia-se no Grêmio Polimático. Discorda do Poli, forma o seu grupo teatral com estudantes do Colégio 15, depois denominado “Teatro Estudantil de Garanhuns”, contando com a colaboração de Augusto Pinto e Eloísa Falcão. Em 1943 aparece Luís Maia e o seu Teatro, estreando no Sport Club, sob o patrocínio do Centro de Cultura S. Peixoto e contando com a colaboração de Israel Carvalho ( o modesto violinista que num grande centro se teria projetado ) e os seus filhos Nanci e Renato na parte musical. O seu lema era: “Educação através do teatro”.

            No jornalismo, Luís prefere retratar os“párias da vida”: Beleza, um preto velho; Simão, Rei de Portugal, doido manso; Dois vintém, que solta palavrão; Zé Pitanga, vestido com farda de guarda noturno e apito na mão; Agostinho, o tranca ruas; Avelino o Gago, contador de histórias do Brasil; Esteve Rico, soltando palavrão e jogando pedra; Doze Anos, uma preta velha, toda enfeitada; Zé Babão, o gazeteiro, Cândido Trinta Contos, vendedor de bilhetes de loteria. Era o cronista do dia, observando os personagens que faziam a “molecagem “ da rua se assanhar. Sempre no final da Crônica apelava aos moços pedindo que poupassem essa párias da chacota, pois a eles não cabia a culpa de terem nascido ou ficado desta forma e de não haver quem os protegessem.

             Sobre Luís Maia, escreveu L. S. Dourado, em junho de 1945: 

            “Luís Maia que teria vencido facilmente num meio grande ficou em Garanhuns e lá se perdeu” . E continua adiante: “Mas idealista do que prático, preferiu o sonho. Precisava dar a Garanhuns um jornal de “gente moça e de ideal”; querido e temido ao mesmo tempo, precisava fundar associações de operários, precisava cooperar num teatro e, pouco depois, no “Grêmio Polimático” para o qual escreveu peças e “skates”; precisava, finalmente, fazer por Garanhuns aquilo que ainda ninguém tentara fazer: Criar um Centro de Cultura. Sei das dificuldades, da incompreensão, da má vontade e até mesmo do desdém com que teve de lutar. Mas, nele o ideal era tanto mais forte quanto o sabia contrariado. Aí está o Centro de Cultura Severiano Peixoto, que não é a última, mas a sua definitiva realização, porque Luís Maia continuará nele, pois tudo ali é a sua presença, dirigindo e animando. O que Garanhuns lhe deu em troca de toda essa dedicação, não sei. Só que Luís Maia nunca pediu e se teve amargas decepções, soube suportar calado. Faleceu  em 18.08.45.(Fonte da Pesquisa: Livro "Os Aldeões de Garanhuns, foto de Massilon Falcão).

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