sábado, 22 de fevereiro de 2014

ANTÔNIO EUTÍMIO DE AZEVEDO



Descendente do clã de Simôa Gomes. Capitão da Guarda nacional, tivera o avô, riquíssimo fazendeiro, com muitas terras e escravos, minha avó, irmã do pai de Eutímio falava dessas cousas e que o mano, seguindo  a tradição da família, continuara com “partes de terra”,  na região de Brejão, a amanhar o solo e cultivar a arte de bem criar.

Mas, Eutímio, fugindo do campo, veio a ocupar o cargo de Delegado do Ensino Estadual em Brejão. Daí, estabeleceu-se com uma farmácia em Correntes. Depois, a Mercearia Alvorada na rua D. José. Enfim, a sua vocação, de Tabelião Público na terra dos antepassados, Estava a lidar com outro tipo de pessoas. Não mais a freguesia do bacalhau, do querosene, da charque, do arroz, de toda a  gama de produtos alimentares e a célebre “caderneta do fiado”. Agora uma clientela mais selecionada – Juízes, promotores, advogados, fazendeiros e proprietários de imóveis, etc. E, até estudantes, com os problemas de “direito civil”, o procuravam para consulta, enquanto os neófitos na carreira advocatícia, que não encontravam em “Pontes de Miranda” e outros mestres a fórmula para elaboração de petições e de pareceres em processo, ali tinham um orientador. No Cartório o “mestre” com a prática, hora-a-hora, dia-a-dia, do modelo, do estilo formal de petições, pareceres, etc.

Diz um desses neófitos:... “Não sei em que dia, mas posso precisar o ano – 1937 um tímido estudante de direito, fui levado a tratar com Antônio Eutímio de Azevedo, escrivão do 1º Cartório”. E, mais adiante, prossegue: “ A falta de prática forense, o receio dos que se iniciam, mesmo tendo estudado com carinho e amor, a ausência destes tratamentos mais sérios, tudo isso foi compreendido pelo escrivão Eutímio, elegante no seu trato, inteligente no seu labor, horando na sua conduta, carinhoso em orientar, desculpando os erros e ensinando, mais que tudo, incentivando pela confiança e pela amizade”. E continua: “As histórias que me contava, onde o passado da minha terra era tão bem revivido pela sua memória privilegiada, Antônio Eutímio era um homem pacato, feliz consigo mesmo, bom pai e ótimo filho, uma elegância natural, nos gestos da gentileza à antiga, no vestir apurado, simples e asseado. Trabalhador honesto, nunca antepondo à marcha dos processos, o seu interesse, o lucro maior, fora do orçamento do Estado.

Não vendia certidões, nem ludibriava a boa fé dos incautos matutos que lhe batiam às portas para o conselho do “doutor escrivão”. Nunca surrupiou custas, nunca ouvi dos seus lábios o pedido cauteloso de agrado pelas vitórias das demandas. Uma honradez sem mácula, um coração sem rancores, um espírito poético, mesmo que nunca tivesse versejado...” Digam os entendidos: o poético é o sentido superior da vida, onde os interesses mediatos cedem lugar à inteligência cativa do belo e do bom”... Tinha o humor franco, onde a fina ironia não era arma de ataque, porém , uma suave piada de bom amigo. Uma jovialidade de velho, que envelhece a sorrir, pleno ainda da vida que a rodeia”. E termina, após outras considerações: “Mesmo na velhice, repetirei agradecido o quanto devo a este homem, digno de ser elogiado, como mais digno é do nosso sincero pranto”. Assim escreve Eurico Ferreira Costa – “Um Tributo do Coração”, quando no Rio, tomou conhecimento de que Antônio Eutímio de Azevedo havia falecido. (Publicado no Garanhuns Diário de 21.5.42).

Em “Desenhos Animados” fala JCR (G. D. 17.7.37)

“Se realmente, ódio velho não cansa, Antônio Eutímio de Azevedo, não perdoará os Juízes. Descendente da ilustre virago Simôa Gomes de Azevedo, não é hoje o primeiro tabelião público de Garanhuns dono incontestado de todas as terras do nosso Município porque, a ser verdadeira  a História, no ano das Graças de 1885, um antecessor do Dr. Edmundo Jordão anulou, raciocinando tal qual mente  aquele sacerdote que ocupou até pouco tempo o cargo de Capelão de Boa Vista, que dizia numa circular dirigida aos seus paroquianos que “santo não come”, a doação feita por dona Simôa de todas as terras de Garanhuns às almas e, sequestrando-as, incorporou ao patrimônio nacional, mandando às favas os herdeiros da doadora.

Em virtude desta decisão que a ferocidade nacionalista do Dr. João Domingos considera a mais simples e a mais justa proferida até agora no Brasil, ficaram as Almas e depois Antonio Eutìmio de  Azevedo, sem os terrenos de Garanhuns” e prossegue JCR, finalizando:  “Dizem os maus psicólogos que ele é indecifrável, misterioso. Que esperança... Antonio Eutímio de Azevedo, é apenas precavido. Disseram-lhe, em pequeno que cautela e caldo de galinha, não fazem mal a ninguém. A filosofia da frase contaminou-o para o resto da vida. E procurou inverter aquela fascinante divisa de Nietzsche seguida por MUSSOLINI – “viver perigosamente” por esta – “viver precavidamente”. E aí está a decifração da esfinge”.

Antônio Eutímio de Azevedo era casado em primeira núpcias com Quitéria Carvalho (Santa), poetisa. Ela, filha de Manoel Ignácio. Seus irmãos eram: Antônio, João, Mariquinha, Vespasiana. Em segundas com Georgina Fonseca que exercera após a sua morte  a função de Tabeliã do 1º Ofício em Garanhuns. Indo residir em Campo Grande, Mato  Grosso, ocupou o cargo de professora e diretora do Grupo Escolar Ancambai e escrevente do 5º Ofício. Era filha de Jenuíno Leão da Fonseca, senhor de engenho em Pernambuco. Os outros manos eram: Genuíno, José, Berenice, Renato e Romeu.(Fonte da Pesquisa: Livro "Os Aldeões de Garanhuns", de Alberto da Silva Rêgo).

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