The 3 Week Diet

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

LITERATURA DE CORDEL: O CAPITÃO VIRGULINO

Gonzaga de Garanhuns

Peço licença ao leitor
para esta narração
contada neste romance
com autêntica perfeição
falando sobre a vida
do famoso Lampião.

Daqui são muitos tratados
da vida de Lampião
pois cada autor escreve
conforme sua versão
a minha versão é esta
do Capitão do Sertão.

Para puder escrever
pesquisas eu fiz primeiro
sobre a vida e andanças
deste herói cangaceiro
governador das caatingas
do nordeste brasileiro.

O que escrevo aqui
foi um fato verdadeiro
foi em 1900
aos doze de fevereiro
que nasceu em Vila Bela
este bravo cangaceiro.

Seu nome era Virgulino
o seu pai José Ferreira
Maria Lopes de Lima
foi sua mãe verdadeira
Vila Bela sua terra
grandiosa hospitaleira.

Vila Bela este lugar
atual Serra Talhada
no Sertão Pernambucano
ela está encravada
o Riacho do Navio
faz esta terra banhada.

O Sr. José Ferreira
naquela localidade
ao lado dos Saturninos
tinha uma propriedade
e que José Saturnino
tinha gado em quantidade.

Estes são pois os irmãos
do Capitão Virgulino
João, Antônio e Ezequiel
conhecido Ponto Fino,
Virtuosa e Angélica
Maria, Anália e Livino.

Esta família unida
vivia do seu labor
Virgulino era almocreve
caboclo trabalhador
pacato, honesto e amigo
e demais batalhador.

Os Ferreiras que também
tinham alguma criação
causavam pois aos saturninos
uma inveja do cão
chegando até acusarem
os Ferreiras de ladrão.

Vejam que os Saturninos
fizeram para acusar
a família dos Ferreiras
prá encrenca começar
um chocalho dos Ferreiras
mandou um cabra amassar.

O chocalho duma cabra
um deles foi e tirou
a cabra era dos Ferreiras
mas Saturnino ordenou
que dissesse que o chocalho
um dos Ferreira roubou.

Isto foi um desaforo
para o povo dos Ferreiras
sendo o chocalho dos mesmos
comprado ali na feira
pelo mesmo Virgulino
alí naquela ribeira.

Pois que o chocalho foi
Virgulino que comprou
na feira por dois mil reis
na sua cabra botou
porém da cabra o chocalho
um cabra a noite tirou.

O cabra além de tirar
o chocalho amassou
o chocalho aos Ferreiras
Zé Saturnino levou
e ainda mais de ladrão
a Zé Ferreira acusou.

Zé Ferreira sentiu muito
aquela difamação
e achou ser muito forte
toda aquela acusação
Também achou logo aquilo
ser uma provocação.

Ele pensava consigo
a paz agora acabou
desta não posso sair
e agora quer fazer vou?
parece que a desgraça
em nosso meio começou.

Saturnino que também
dali era inspetor
tinha um bando de cachimbos
que fazia até horror
para prender os Ferreiras
seguiu com todo vapor.

Saturnino chegou lá
com seu gesto ferino
falou para Zé Ferreira:
- Ferreira o teu menino
carregou esse chocalho
e sei que foi Virgulino.

Zé Ferreira respondeu-lhe:
- isto é feio Saturnino
o chocalho não é teu
deixa de ser tão cretino
como é que tu acusas
desse jeito meu menino?

Como foi que este chocalho
na tuas mãos veio parar?
Virgulino este chocalho
ele acabou de comprar
e como pois conseguisses
da sua cabra tirar.

Saturnino acovardado
dali pois se retirou
assim que ele saiu
Virgulino ali chegou
e o seu pai Zé Ferreira
tudo a ele contou.

Virgulino disse pai
é bem duro este incidente
deixemos isto de lado
e vamos seguir em frente
e mesmo eles não provam
nadinha disto da gente.

Como os Ferreiras alí
eram bem conceituados
Zé Saturnino deixou
aquele caso guardado
devido esta calúnia
ficaram pois intrigados.

Certo dia em Nazaré
na feira aconteceu
prá provocar os Ferreiras
Zé Saturnino prendeu
um cidadão dos Ferreiras
Este caso assim se deu.

Zé Ferreira aí foi
prá Saturnino falo
- porque prendeu este homem.
Zé Ferreira perguntou
Saturnino respondeu:
prendi porque provocou.

Hoje você teve sorte
que foi só um cabra teu
amanhã vai ser teu filho
quem tá falando sou eu
comigo agora é assim
caiu fora o pau comeu.

Zé Ferreira aí notou
o motivo de prisão
somente prá provocar-lhe
fez esta alteração
daí voltou para casa
cheio de decepção.

Saturnino endiabrado
a maldade não deixou
mas depois de certo tempo
a Zé Ferreira voltou
com estupendos insultos
Saturnino provocou.

Zé Ferreira aguentava
aquilo tudo calado
ele queria a paz
e o seu nome honrado
e viver com a família
no seu sertão sossegado.

Os Saturninos alí
com o povo dos Nogueiras
provocaram todo dia
a família dos Ferreiras
e assim continuavam
suas ações encrenqueiras.

Zé Ferreira prá não ver
Tudo alí se acabar
resolveu com a família
dalí pois a se mudar
porque tava vendo a hora
uma desgraça se dar.

Zé Ferreira aguentou tudo
entristecido ficou
logo imediatamente
ele dalí se mudou
e tudo que era seu
naquele lugar deixou.

Foi morar em Mata Grande
no sertão alagoano
se foi mas deixou saudades
do solo pernambucano
para evitar mais encrencas
ele seguiu este plano.

Aos cuidados dum parente
as suas coisas deixou
algumas criações de cabras
e de gado alí ficou
e direto  a Mata Grande
ele pois se destinou.

Certo dia Virgulino
com Antonio seu irmão
vieram buscar do pai
o resto da criação
porém foram emboscados
sem dó e sem compaixão.

Antonio e Virgulino
tangiam a criação
os três capangas armados
de punhal e mosquetão
mandaram que eles parassem
para uma averiguação.

Os meninos que também
alí estavam armados
começaram discutir
com feios palavreados
aí o fogo pegou
dum modo desesperado.

Um cabra de Saturnino
quando o mosquetão pegou
para atirar em Antonio
Virgulino aí notou
meteu-lhe bala nas costas
que o espinhaço voou.

Este caindo por terra
nunca mais se levantou
o outro em plena caatinga
prá não morrer desabou
o outro metido a brabo
os meninos ele enfrentou.

Assim mesmo ele enfrentou
Antonio e Virgulino
os meninos lhe pegaram
como que fosse um suino
sangraram ele na goela
que o cabra gritou fino.

Amigos caros leitores
o cabra que desabou
correu para Saturnino
e tudo a ele contou
Saturnino imediato
o seu bando convocou.

o bando de cachimbos
Saturnino reuniu
Direto prá Nazaré
com sua tropa seguiu
não aguentando a parada
voltou prá casa e fugiu.

O tiroteio foi tão grande
que a caatinga azulou
os irmãos de Virgulino
a ele se encostou
foi daí que saturnino
deste cerco desabou.

Depois deste incidente
os irmãos de Virgulino
deixaram o gado na estrada
e seguiram outro destino
depois de desbaratarem
o bando de Saturnino.

Zé Saturnino ao correr
reuniu-se aos Nogueiras
dirigiu-se a Mata Grande
para atacar os Ferreiras
como de fato assim fez
com a sua cabroeira.

Chegou lá em Mata Grande
com sua cabroeira
atacou sem piedade
o Sr. José ferreira
e o mesmo sem defesa
morreu em sua trincheira.

Ao Sr. José Ferreira
coisa triste aconteceu
ele foi assassinado
como o destino preveu
sua mãe com o abalo
teve um ataque e morreu.

Com este acontecido
para os meninos mudou
Virgulino o cangaço
forçadamente abraçou
ao lado dos seus irmãos
um só destino formou.

Virgulino e os irmãos
prá Pernambuco voltou
a fazenda dos Nogueiras
ele logo incendiou
o que foi de criação
e de gente ele sangrou.

Afugentou os Nogueiras
deixando quase sem nada
foi atrás de Saturnino
mas o mesmo em disparada
correu e não aguentou
de Virgulino a parada.

Após isto Virgulino
com os irmãos abraçou
a vida de cangaceiro
que o destino forçou
no bando de Zé Pequeno
de imediato ingressou.

Do grupo de Zé Pequeno
depois mais tarde sairam
de Sebastião Pereira
pro bando logo seguiram
sangue morte e agonia
e ódio foi o que viram.

Pois Sebastião Pereira
logo o cangaço deixou
e a Virgulino Ferreira
o seu bando ele entregou
e como Rei do Cangaço
Virgulino pois ficou.

Devido suas façanhas
a bravura no sertão
sua fama ficou logo
conhecida na nação
e em vez de Virgulino
ficou sendo Lampião.

Sete Estados nordestinos
ele atemorizou
e contra todos governos
destes estados lutou
junto com seus cangaceiros
todo sertão revirou.

Ajudou em Juazeiro
ao Pe Cícero Romão
Era uma grande devoto
da Virgem da Conceição
deste padre recebeu
as honras de capítão.

O Capitão Virgulino
conhecido Lampião
como o Rei do Cangaço
ficou sendo no sertão
arranjou uma mulher
prá sair da solidão.

Era Maria Bonita
linda formosa baiana
seu coração de mulher
era igual uma banana
mas quando se esquentava
era igual a caninana.

O que Lampião falava
tinha pois que ser aceito
os cabras lhe obedeciam
com toda garra e respeito
um traidor para ele
era o maior defeito.

Foi assim que Lampião
neste nordeste viveu
aos 28 de julho
de 38 morrreu
lá em Angicos, Sergipe
o cangaço lhe perdeu.

Com sangue luta e bravura
na terra seca escreveu
nas páginas firmes da glória
carimbou-se o nome seu
que até hoje sua fama
ninguém jamais esqueceu.

A vida de Lampião
traçou-se no seu destino
o sertão jamais terá
um herói tão genuíno
que se iguale a Lampião
o capitão Virgulino.

Foi assim que Lampião


neste Nordeste viveu
perseguido pelas forças
cumpriu o destino seu
numa hora inesperada
ao lado de sua amada
traiçoeiramente morreu.

(Foto: Comunidade "O Cangaço" no Facebook).



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