quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

HOJE ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO DO MESTRE DOMINGUINHOS

José Domingos de Moraes, Dominguinhos, nascido em Garanhuns, PE, em 1941, começou a tocar e compor aos 8 anos, primeiramente com sua sanfoninha de 8 baixos nas feiras livres de Pernambuco para logo em seguida se profissionalizar com a de 48, 80 e 120 baixos.

Em 1950, conheceu Luiz Gonzaga que o convidou a vir ao Rio de Janeiro, o que fez com 13 anos, em 1954, juntamente com seu pai e seus dois irmãos, ambos músicos. Ao se encontrar novamente com seu padrinho musical - Luiz Gonzaga, recebeu deste uma sanfona de presente e passou a tocar, fazer shows, participar das viagens e gravações de seus discos, enfim deste momento em diante passou a fazer parte da vida de Luiz Gonzaga, chegando a ser conhecido como seu herdeiro musical.

Teve uma vida artística bastante diversificada tocando em boites, dances, gafieiras, "inferninhos", Rádio Nacional, Mairinque Veiga, Rádio Mauá, Rádio Mundial, Rádio Globo, Rádio Tamoio, Rádio Tupi. Acompanhou de perto todos os movimentos da Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicália, etc. Em 1964 gravou o primeiro LP na pequena gravadora Canta Galo de Pedro Sertanejo, pioneiro do Forró em São Paulo, pai de Oswaldinho do Acordeon.

Hoje, tem seu estilo próprio e muita personalidade. No entanto, quando puxa o fole e canta, não tem como a gente não lembrar do Gonzagão, que morreu em agosto de 1989. Existe uma natural semelhança, positiva, na linha musical dos dois - evidentemente, cada um com suas peculiaridades.
 

Como autor tem gravado com quase todos os nomes da MPB. Tendo canções conhecidas em âmbito nacional como: Eu só quero um xodó (Dominguinhos / Anastácia), grande sucesso de Gilberto Gil; Gostoso Demais (Dominguinhos / Nando Cordel) com Maria Betânia; Lamento Sertanejo (Dominguinhos / Gilberto Gil); Abri a porta (Dominguinhos / Gilberto Gil); De volta pro aconchego (Dominguinhos / Nando Cordel) sucesso com Elba Ramalho; Isso aqui ta bom demais (Dominguinhos / Nando Cordel); Tantas palavras (Dominguinhos / Chico Buarque); Tenho sede (Dominguinhos / Anastácia). Vários sucessos em parceria com Anastácia, Fausto Nilo, Climério, Clodô e Clésio, Abel Silva. Viagens ao exterior, temporadas no teatro Cistina em Roma com Gilberto Gil; show Canta Brasil com Toquinho, etc. Sendo sem dúvida um dos grandes expoentes do acordeom no Brasil e com um trabalho excepcional e da mais alta qualidade na música regional do Brasil.

Biografia

Cantor. Compositor. Instrumentista. Sanfoneiro. Seu pai, mestre Chicão, foi um famoso tocador e afinador de foles de oito baixos. Começou a tocar sanfona aos seis anos de idade, juntamente com mais dois irmãos, em feiras livres e portas de hotéis do interior de Pernambuco. Com oito anos de idade, conheceu Luiz Gonzaga na porta de um hotel em que este se apresentava com o trio "Os Três Pinguins", formado por ele e mais dois irmãos. Luiz Gonzaga acabou se tornando o seu padrinho artístico. Em 1954, mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar com o pai e com o irmão mais velho no município de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Nesta ocasião, recebeu do padrinho Luiz Gonzaga uma sanfona de presente.
 

Dados Artísticos

Seu nome artístico foi uma sugestão de Luiz Gonzaga, que considerou que o apelido de infância, Neném, não o ajudaria na trajetória artística. Com a sanfona ganha do próprio Gonzagão, passou a percorrer o interior do Rio de Janeiro na companhia dos irmãos,apresentando-se em circos e arrasta-pés. 

Em 1957, aos 16 anos, fez sua primeira gravação, tocando sanfona num disco de Luiz Gonzaga, na música "Moça de feira", de Armando Nunes e J.Portela. No mesmo ano, em viagem ao Espírito Santo, com Borborema e Miudinho, formou um trio, batizado de Trio Nordestino. Tomou contato com outros ritmos musicais e aprendeu a tocar samba e bolero. Voltou ao Rio de Janeiro e formou um conjunto que passou a atuar em dancings, boates e inferninhos nas zonas da malandragem. Tocou na gafieira Cedo Feita, Churrascaria Gaúcha, boate Babalaica e Dancing Brasil.
Ainda na década de 1960, tocou no regional do Canhoto juntamente com Meira, Dino e Orlando Silveira acompanhando artistas de Rádio. Em 1965, foi convidado por Pedro Sertanejo, então diretor da recém-inaugurada gravadora Cantagalo, para gravar um LP destinado ao público migrante nordestino e, com isso, voltou a tocar forrós e baiões. Em 1967, fez parte de uma excursão de Luiz Gonzaga ao Nordeste, como sanfoneiro e motorista. Também fazia parte do grupo a cantora pernambucana Anastácia. Os dois iniciaram então uma carreira artística conjunta e um relacionamento amoroso, que os levou ao casamento. Observado pelo empresário Guilherme Araújo tocando num show de Luiz Gonzaga, em 1972, foi convidado por ele a trabalhar com Gal Costa e Gilberto Gil. Viajou para a França com Gal, acompanhando a cantora baiana em apresentação no Midem, em Cannes.


De retorno ao Brasil, participou do show "Índia", da mesma cantora. Posteriormente, trabalhou um ano e meio com Gilberto Gil que  gravou o maior sucesso de Dominguinhos, em parceria com Anastácia, "Eu só quero um xodó", que conheceria em pouco tempo cerca de 20 regravações, inclusive algumas no exterior. Participou como instrumentista de inúmeros shows de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia.

Participou do primeiro disco gravado por Elba Ramalho, "Ave de Prata", dem 1979. Em 1980, participou do II Festival Internacional de Jazz de São Paulo. Em 1981, participou, com destaque, do programa "Som Brasil", na TV Globo. Na década de 1980, suas composições "De volta pro meu aconchego", em parceria com Nando Cordel, gravada por Elba Ramalho, e "Isso aqui tá bom demais", em parceria com Chico Buarque, e gravada pelos dois, foram incluídas na novela "Roque Santeiro", da TV Globo, o que fez aumentar nacionalmente sua popularidade. Em 1984, o cantor e compositor Chico Buarque gravou em seu disco "Chico Buarque" a composição "Tantas palavras", parceria de Chico e Dominguinhos, que obteve grande sucesso.
Em 1985, a composição "Esse mato, essa terra", composta em parceria com a cantora, sua esposa, Maria de Guadalupe, foi incluída na trilha sonora do filme "Aventuras de um paraíba", de Marco Altenberg. Em 1993 criou o Projeto Asa Branca, com patrocínio da Caixa Econômica Federal, destinado a levar shows de música popular para praças públicas de diversos estados brasileiros. Em 1997, lançou o CD "Dominguinhos e convidados cantam Luiz Gonzaga", pela gravadora Velas. No mesmo ano, compôs a trilha sonora do filme "O cangaceiro", de Anibal Massaini Neto. Teve suas composições registradas por diferentes intérpretes, entre os quais Fagner, que gravou "Quem me levará sou eu" e Maria Betânia, que gravou "Lamento sertanejo".
Em 1999 lançou pela gravadora Velas o seu 41º disco, "Você vai ver o que é bom", no qual interpreta, entre outras: "O riacho do imbuzêro", letra inédita de Zé Dantas, dada a Dominguinhos pela viúva do compositor pernambucano; "Quem era tu", parceria com Nando Cordel, que faz uma homenagem bem-humorada aos grupos "É o tchan" e "Terra samba"; e "Prece a Luiz", em parceria com Climério, uma homenagem a Luiz Gonzaga nos 10 anos de sua morte. Em 50 anos de carreira recebeu seis prêmios Sharp. Em 2000 lançou o 54º trabalho, gravado ao vivo durante dois shows no Sesc Pompéia, em São Paulo, com destaque para "De volta pro meu aconchego", "Gostoso demais", ambos de sua autoria, "Abri a porta" e "Forró do Dominguinhos", em parceria com Gilberto Gil, e "Isso aqui tá bom demais", parceria com Chico Buarque. O CD foi lançado com um show na casa de espetáculos Olimpo, no Rio de Janeiro. Em seguida fez shows em São Paulo e realizou turnê pelo Nordeste.

Em 2001 foi o grande homenageado no 11º Festival de Inverno de Garanhuns, sua cidade natal, com um concerto sinfônico. No mesmo ano, participou do Primeiro Festival de Sanfona do Maranhão juntamente com Waldonys, Sivuca, Renato Borghetti, o argentino Antonio Tarragô e os norte- americanos Geno Delafose e Mingo Saldival. Em 2002, teve participação especial, com seu acordeom, no CD "Sertão", lançado por Gereba, em comemoração aos 100 anos do lançamento do livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha. No início de 2003, gravou com Sivuca e Oswaldinho do Acordeom um disco que registrou o encontro de três dos maiores sanfoneiros em atividade no país, produzido por José Milton, com repertório escolhido na hora e arranjos feitos no próprio estúdio, no qual aparecem composições como "Maria Fulô" e "Feira de Mangaio", de Sivuca, além de muitas de autoria de Luiz Gonzaga, resultando numa homenagem natural ao Rei do baião. Ainda nesse ano, participou na Fundição Progresso, Rio de Janeiro do show comemorativo dos 45 anos do Trio Nordestino. Em 2004, apresentou-se fazendo dupla com Elba Ramalho, em temporada de shows no Canecão, RJ. 
O repertório contou com sucessos de carreira da cantora e do compositor como "De volta para o aconchego", parceria de Dominguinhos com Nando Cordel,  além de levar ao palco surpresas como a composição "Xote da navegação", de Dominguinhos e Chico Buarque. No mesmo ano, o cantor e compositor Targino Gondim gravou a sua música "Xote do Coice", no CD "Targino Gondim - ao vivo". Em 2005, a cantora Elba Ramalho lançou um CD que registrou a temporada de show no Canecão com o sanfoneiro, revivendo grandes obras deste que foram grandes sucessos em sua interpretação. No CD, Elba que afirma ser Dominguinhos um dos maiores músicos do mundo, respaldada por muitos artistas como Gilberto Gil e Chico Buarque, além do maestro Hélio Sena, revive, entre outros, o clássico de sua carreira "De volta para o aconchego". Apenas uma canção "Chama", não é de autoria do sanfoneiro, sendo atenção de Elba a Tato, vocalista do grupo Falamansa.

Nesse mesmo ano, participou, como atração consagrada, nos festejos juninos do circuito tradicional nesses eventos, que engloba cidades nordestinas como Caruaru, Campina Grande e Recife. Em 2006, após cinco anos sem lançar disco solo, lançou o CD "Conterrâneos", com repertório que mescla inéditas, como "Vivendo a Brincar", "Cai Fora", "Oi que Balanço Bom" e regravações como "Acácia Amarela", parceria de Luiz Gonzaga com Orlando Silveira.  A toada "Carece de Explicação", com Clodo Ferreira, "Tempo Menino",  o côco "Gavião Peneirador", com Marcos Barreto e "Feito Mandacaru". A faixa-título, "Conterrâneos", conta com a participação da cantora Guadalupe. O disco, que  traz capa de Elifas Andreato, conta também com a participação do sanfoneiro Waldonis, na quadrilha "Eita Paraíba", de Chico Anísio e Sarah Benchimol. O disco lhe conferiu o prêmio- 2007, na categoria Regional - Melhor cantor. Também em 2007, a gravadora Biscoito Fino lançou o CD "Yamandu+Dominguinhos", em que  os dois instrumentistas tocam num dueto de violão e sanfona. No disco cada um tocou sem prender-se ao estilo do outro, resultando em um repertório bem diversificado que inclíu, entre outras, os choros "Perigoso", "Chorando baixinho" e "Pedacinho do céu", além das nordestinas "Feira de mangaio", "Xote miudinho" e "Asa branca", além das sulistas "Bagualito", "Prenda minha" e, ainda, "Estrada do sol" e "Wave". Na ocasião do show de entrega dos prêmios, apresentou oito números em duetos. Em maio do mesmo ano, Em 2008, foi o grande homenageado no Prêmio Multishow. Na ocasião do show de entrega dos prêmios, apresentou-se em duetos, em oito números. No mesmo ano, apresentou-se com Alceu Valença na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro no projeto "Pé no mundo", interpretando seus sucessos.
Em 2009, gravou, no maior teatro ao ar livre do mundo, o Nova Jerusalém, em Pernambuco, o DVD "Dominguinhos ao vivo", que contou com as participações especiais de Elba Ramalho, Renato teixeira, Liv moraes, Waldonys, Cezinha, Guadalupe e Jorge de Altinho. Em março de 2010, participou do programa "Emoções Sertanejas", da Rede Globo de Televisão, interpretando, com Paula Fernandes a música "Caminhoneiro", versão de Roberto e Erasmo Carlos, para canção de John Hartford. O programa teve como objetivo homenagear o cantor e compositor Roberto Carlos e recebeu como convidados, em um mega-show, no ginásio do Ibirapuera em São Paulo, grandes nomes da música sertaneja como Almir Sater, Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano, Chitãozinho & Xororó, Daniel, Elba Ramalho, Gian & Giovani, Leonardo, Martinha, Milionário & José Rico, Nalva Aguiar, Paula Fernandes, Rio Negro & Solimões, Roberta Miranda, Sérgio Reis, Victor & Léo e Zezé di Camargo & Luciano. Ainda em 2010, a gravadora Biscoito Fino lançou o CD Lado B - Dominguinhos e  Yamandú Costa, trazendo um dueto entre os dois músicos. 

O repertório do disco apresenta as seguintes faixas: Da cor do pecado (Bororó); Noites sergipanas (Dominguinhos); Fuga pro Nordeste (Dominguinhos); Doce de coco (Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho); Homenagem a Chiquinho (Dominguinhos e Guadalupe); Naquele tempo (Pixinguinha); Sanfona de cordel (domínio público); Homenagem a Pixinguinha (Dominguinhos e Anastácia); Choro do gago (Yamandu Costa); Chorando em Passo Fundo (Dominguinhos); Carioquinha (Waldir Azevedo); Felicidade (Lupicínio Rodrigues); Pau de arara (Luiz Gonzaga); Rancho Fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo); Solamente uma vez (Agustin Lara). Ainda em 2010, foi contemplado com o prêmio Shell de Música, pelo conjunto de sua obra.
No mesmo ano, lançou o DVD "Iluminado Dominguinhos", um projeto que contou com o apoio do Ministério da Cultura. Do álbum, participaram especialmente os artistas Elba Ramalho, Wagner Tiso, Gilberto Gil, Yamandu Costa, Waldonys e Gilson Perazzeta. No fim desse mesmo ano, participou  e foi o homenageado principal do 2º Festival Internacional da Sanfona, realizado em Juazeiro (BA). Apresentou-se no mesmo dia com Laudiston Bagagi, Sexteto Pernambucano de Acordeon, Renato Borghetti e Cezinha. Em 2011, participou do "São João carioca", evento realizado pela prefeitura do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, comemorando a passagem dos festejos juninos. No evento cantou e acompanhou Elba Ramalho, Gilberto Gil e o jovem cantor sertanejo Gusttavo Lima. O evento levou ao palco montado naquele parque artistas como Caetano Veloso, Trio Virgulino, Geraldo Azevedo, além de  Elba Ramalho, Gilberto Gil e Alcione, entre outros.(Fonte: Portal O Nordeste e a foto do Portal G1.com).

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