The 3 Week Diet

Monday, February 24, 2014

A DIMENSÃO DE UM ESTADISTA

Luiz Souto Dourado


Artur da Silva Bernardes, foi
Presidente do Brasil entre 15
de novembro de 1922 a 15 de
novembro de 1926
Somente o tempo dá a verdadeira dimensão dos homens, seja do homem comum, do político ou do estadista. Principalmente dos homens públicos, eles que se encontram sob o permanente julgamento da opinião de todos.

Quando se comemora este ano, prestes a findar, o centenário do nascimento do Presidente Artur Bernardes, convém que ressalte que bem poucos homens sofreram com maior violência a tirania da opinião pública como esse velho estadista mineiro. Chegou à Presidência fazendo toda a escalada política necessária na chamada República Velha. Exerceu todos os mandatos, de vereador a presidente. Nele, portanto, juntou-se à vocação do homem público uma extraordinária experiência.

Apenas uma vez vi o Presidente Bernardes, pouco tempo antes da sua morte, ele no plenário da Câmara e eu, aprendiz de deputado, nas galerias. Dele, ficou-me essa lembrança: alto, amável com seus pares e sem perder a postura de Presidente, a mesma postura e altivez, com que seguiu para o exílio, depois de exercer a mais alta magistratura do país.

Como um estadista, Bernardes resistiu a tudo, antes mesmo de sua posse na presidência. Enfrentou o episódio das cartas forjadas, ofensivas às forças armadas, desmanchando a farsa. Altivo, não admitiu a renúncia como fórmula conciliatória que lhe foi proposta. Preferiu provar à nação a falsidade do documento e assumir com dignidade o poder. A renúncia, tantas vezes utilizada nas crises da política nacional, não convinha a um homem de sua formação. Assumiu o poder, como de fato o assumiu, porque o conquistara nas urnas e com a consciência tranquila de quem jamais desceria a escrever do próprio punho as cartas injuriosas que lhe foram atribuídas.

Depois da Presidência, fato que o engrandece, voltou ao Legislativo, com a mesma coragem, não para defender-se, mas para defender, isto sim, as suas teses de um nacionalista que o exercício da Presidência só fizera crescer ainda mais, pela convivência mais direta com os problemas do país. Chegou a registrar na tribuna da Câmara Federal o conselho que  lhe traçara o ex-presidente Theodore Roosevelt: "O Brasil deveria guardar as suas reservas naturais para quando as pudesse explorar e nunca vendê-las aos estrangeiros".

Afirma Theodore H. White, analista americano, que "de fato não existe governo perfeito. Mas política é um sistema de acidentes e só podemos escolher entre as alternativas existentes". O Presidente Bernardes não fez um governo perfeito e foi vítima de um sistema de acidentes que o envolveu, desde publicação das cartas falsas à decretação do estado de sítio, medida de emergência mas que se prolongou a quase todo seu período. Foi inegavelmente o seu maior erro. Escolheu a pior das alternativas. Fez crescer
o movimento tenentista, que representou naquela época a reação popular contra as arbitrariedades do poder central, que suprimia as liberdades públicas.

Apesar disso, teve Bernardes gestos e atitudes que o engrandeceram. O gesto de apoiar o Brigadeiro Eduardo Gomes, desejando fazer Presidente o tenente que se rebelara contra o seu governo. As atitudes que tomou na defesa dos interesses nacionais. Chegou ao ponto de, como Governador de Minas, opôr-se a  assinar um contrato já assinado pelo Governo Federal, mas que apareceu a Bernardes altamente lesivo ao seu Estado, pois entre outros favores a isenção "perpétua" de todos os impostos, num contrato mais  facultativo do que obrigatório nas cláusulas principais. Tão incisivo, decidido e patriota fora Bernardes nesse caso da  Itabira Iron, quanto na estatização da Petrobrás, em cujo pensamento se baseou emenda da União Democrática Nacional, convertida na lei em vigor. Denunciou também o Tratado da Hiléa Amazônica como lesivo à soberania nacional, problema que o levou várias vezes à tribuna da Câmara.

Principalmente pelas suas atitudes, temos de concluir que mesmo antes de havermos nascido, Bernardes já defendia os mineiros, depois especificamente o petróleo e por fim, ou antes de tudo, o princípio da nossa soberania. Se errou, errou pouco, mesmo porque já vimos que governo perfeito não existe. Mas se acertou em alguma coisa, acertou no importante: defendeu sempre os nossos recursos, e mais do     que isso, o nosso dever de preservá-los.(Fonte da Pesquisa: Jornal "Diário de Pernambuco" de 22/12/1975).

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