The 3 Week Diet

Thursday, January 9, 2014

GRACILIANO RAMOS, UM EXEMPLO DE GESTOR PÚBLICO

Graciliano Ramos
Graciliano Ramos (1892-1953), grande escritor brasileiro, nasceu em Quebrângulo (AL), em 27 de outubro de 1892. Estudou em Maceió e, em 1910 sua família estabeleceu-se na pequena cidade de Palmeira dos Índios, interior Alagoano, onde seu pai dedicava-se ao comércio. Seu primeiro livro foi publicado em 1933, “Caetés”. Em 1934, “São Bernardo”. “Angústia” em 1936. “Vidas secas” 1938, dentre outras obras.

Foi preso em 1936, acusado, segundo fontes, injustamente pela participação no levante comunista de 1935, na época do Estado Novo, governo de Getúlio Vargas. Permaneceu na prisão até 1937. Este período, Ramos eternizou em sua obra “memórias do cárcere”. As informações acima são conhecidas do público, também suas obras. O que muitos desconhecem, é que, Graciliano Ramos esteve à frente da prefeitura de Palmeira dos Índios entre janeiro de 1928 a abril de 1930, quando renunciou ao mandato.

Segundo Marcus Lopes – que assina a matéria da revista Gestor, publicada pela editora Nova Griffon –, Graciliano teria renunciado por ser um homem muito íntegro e, que gostava de cumprir suas promessas.
Com efeito, uma receita inexpressiva para executar todos os planos que fizera para a pequena cidade de Palmeira dos Índios, a grande crise de 1929 que abalou a economia sertaneja, inclusive atingindo o comércio de seu pai, levaram-no à renúncia.

Contudo, durante a gestão de Graciliano, através de uma leitura dos relatórios detalhados redigidos pelo nobre escritor e enviados ao governador Alvaro Paes, nota-se singular transparência nos atos do prefeito, transparência jamais igualada pelos políticos brasileiros.
Devido às suas convicções, Graciliano indispôs-se com vários políticos e fazendeiros, inclusive seus correligionários; o vice de Graciliano, José Alcides Morais, por exemplo, renunciara no início do mandato.
De acordo com Marcus Lopes, nota-se peculiar habilidade vernácula em seus relatórios. Além de sua habilidade com as palavras, seus relatórios revelam sua nobreza de caráter e comprometimento com o bem comum.

Marcus Lopes descreve o caso do cemitério: “(...) No cemitério enterrei 189$000 – pagamento ao coveiro e conservação (...) Pensei em construir um novo cemitério, pois o que temos dentro em pouco será insuficiente, mas os trabalho a que me aventurei, necessários aos vivos, não me permitiram a execução de uma obra, embora útil, prorrogável. Os mortos esperarão mais algum tempo. São os munícipes que não reclamam(LOPES apud RAMOS. 2009, p. 28).
Adiante: “A prefeitura foi intrujada quando, em 1920, aqui se firmou um contrato para o fornecimento de luz. Apesar de ser negócio referente à claridade, julgo que assinaram aquilo às escuras. É um bluff. Pagamos até a luz que a lua nos dá.(LOPES apud Ramos. 2009, p. 28-30).

Durante o seu mandato, Graciliano construiu três escolas municipais, aumentou o salário dos professores e o turno dos alunos nas aulas. Cuidou da limpeza pública, fez um novo matadouro, criou o primeiro serviço de higiene pública no interior do Estado. Construiu uma nova estrada ligando Palmeira dos Índios ao distrito de caçambinha e, ainda, implementou um novo código de posturas municipal.(LOPES. 2009, p30).

O código de posturas implementado por Graciliano rendeu-lhe algumas divergências. A primeira delas com seu pai; uma das medidas do novo código proibia animais soltos nas ruas, porém, certo dia um dos fiscais municipais alegou ao prefeito que não recolhera alguns animais porque estes pertenciam “ao coronel Sebastião” pai de Graciliano. O fiscal foi advertido que se agisse assim, da próxima vez, seria demitido. “Prefeito não tem pai. Eu posso pagar sua multa, mas vou ter de apreender seus animais toda vez que o senhor deixá-los na rua”, argumento ao seu pai.(LOPES apud RAMOS. 2009: p.30).

Outro embate foi com o sr. Capitulino Vasconcelos vereador e comerciante de gado. O vereador reclamava do imposto para o corte da carne no açougue aos produtos alegando que tal lei não existia. Graciliano, então, retrucou: “A lei existe e você assinou (...) não tenho culpa de você ser burro e assinar papel sem ler, Capitulino. Não pleiteei prefeitura e não vou fazer favores (...) pague o imposto antes que tenha de pagar multa”. (LOPES. 2009, p. 30-31).

Em consequencia de seus atos, além da compreensão dos munícipes que viviam sob o jugo de políticas tendenciosas comumente compreendidas como Coronelismo, houve, naquela época, pequeno levante em oposição à administração. Graciliano estava ciente de seus atos e escreveu: “Não favoreci ninguém. Devo ter cometido numerosos disparates. Todos os meus erros, porém, foram da inteligência, que é fraca. Perdi vários amigos, ou indivíduos que possam ter semelhante nome. Não me fizeram falta. Há descontentamento. Se a minha estada na prefeitura por estes dois anos [1928 e 1929] dependesse de um plebiscito, talvez eu não obtivesse dez votos”. (LOPES apud RAMOS. 2009, p. 32).


Persistente, seguiu adiante, porém a crise mundial de 1929 e as dificuldades para realizar os seus planos na prefeitura fê-lo renunciar.
Graciliano, certamente não será lembrado pelos seus anos à frente da prefeitura de Palmeira dos Índios. Sua honestidade e comprometimento puseram-lhe à prova.

No comments:

Post a Comment