quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

FOTO RARA DO CANGAÇO

Por Charles Garrido

Foto: Antônio Amaury
Um momento especial em nossa jornada. E nunca é demais rendermos reverência a esse verdadeiro "monstro sagrado" da pesquisa nacional, chamado Antônio Amaury (detentor da fotografia), indubitavelmente o maior pesquisador do tema cangaço no Brasil, cujo qual orgulho-me em ser aluno, sobretudo um fiel discípulo. Tido o privilégio de frequentar sua casa, em São Paulo, no ano de dois mil e sete, foi como uma espécie de pós-graduação. Para que os senhores tenham uma ideia, foi ele quem levou o tema à mídia. Principalmente na década de setenta, em programas como: Fantástico, Globo Repórter, e inúmeros outros documentários. E nunca é demais lembrar, que ele, como dentista, fez o tratamento odontológico de inúmeros ex-cangaceiros, que escolheram a capital paulista como o norte a ser seguido em busca de uma nova vida. Imaginem os senhores, o subsídio adquirido por esse decano, em todos esses anos de trabalho.

Essa foto que vocês podem observar, é a mais rara até o momento. E aqui, permitam-me um comentário pessoal: não importa que um, ou outro pesquisador, diga que já tenha visto.

Vamos à análise:

Foto do dia 02 de agosto de 1938, cinco dias após o massacre, quando o estado de Sergipe, destacou uma volante composta por onze soldados, e seu comandante, o capitão João Lins, do município de Propriá. Também estavam no local, o delegado da capital sergipana, o médico legista Carlos Menezes, e o escrivão Pedro Lima.

Vejam nas setas, mais uma vez a presença dos dois irmãos; Pedro de Cândido, e Durval Rosa. Também é possível notar, que alguns, tapam suas narinas devido ao odor putrefato dos corpos insepultos.

O cadáver decapitado que podemos observar ao chão, não é identificado na imagem.

Reparem também, que há um homem vestido de branco, com uma espécie de balde, na mãos. Há relatos de que o conteúdo do mesmo era cau, pra jogar em cima dos restos mortais.

Divido com vocês, o relato de Durval Rosa, que nos disse o seguinte quando regressou ao local no dia em que tirou essa fotografia:

" Quando o capitão João Lins, chegou na casa da minha mãe, meu irmão e eu estávamos escondidos no mato, com medo que os cangaceiros que escaparam da morte pudessem voltar e acabar com a gente. Mas como se tratava de uma volante, ficamos mais tranquilos, e fomos leva-los até à grota. Quando estávamos chegando, a gente via de longe aquele monte de urubus sobrevoando o local, e a podridão era terrível".

Essa imagem noturna da Grota do Angico, do fotógrafo Márcio Vasconcelos, é simplesmente espetacular. Devido às inúmeras dificuldades de acesso ao local, é um trabalho digno de todos os méritos.
Reparem os onze pontos de luzes, representando o número de cangaceiros mortos em combate.
 

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