quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

PEDRO DA SILVA MAIA

Capitão Tomaz da Silva Maia. Governou Garanhuns por
poucos meses, começou o calçamento da Avenida
Santo Antonio, ano de 1936.
Marcílio Reinaux



Eu era muito pequeno; talvez com 5 ou 6 anos de idade, quando despertei para a vida e Pedro Maia já namorava a minha irmã Alcione. Ele devia ter na época 23 ou 24 anos, pois nascera em 1916. Após onze anos de namoro e noivado Pedro Maia e Alcione casaram-se aqui mesmo em Garanhuns. Havia na época muitos problemas com a nossa família. Meu pai Antonio Reinaux, havia falido, com a sua casa de peças de automóveis, a Agência Reinaux. Mas este não era o único problema: minha mãe Francisquinha havia adoecido de grave enfermidade e os médicos recomendaram que ela se mudasse de Garanhuns. Fomos todos para o Recife, mas meu pai ficou em Garanhuns, tocando o que ainda restava da loja, durante alguns anos. A casa desfeita, Alcione trabalhando na Coletoria Federal com o Sr. Câmara, seria a única pessoa da nossa família que ficaria aqui. Ficou tomando conta do pai e também preparando-se para um casamento simples, sem pompas, mas muito bonito, onde tudo foi feito com muito amor e carinho, por ela mesma.

Pedro Maia trabalhava com o irmão Deusdedith numa grande mercearia do centro da cidade, na Avenida Santo Antonio. Lembro-me muito bem dele nessa época: comprido, magro, vasta cabeleira negra, muito tímido no falar e modesto no agir, atitudes estas que o caracterizariam toda a vida. Morou em diversos lugares: na Rua Santos Dumont, na 13 de Maio, na Rua do Recife e em outros. No tempo do Colégio Quinze, estudara com Bety, minha outra irmã, Dinah, outra, que veio a se casar com Polion Gomes, também  moço de Garanhuns. Da sua turma Pedro tinha como amigos: Geronço, Ozires, Venceslau, Polion, Beneen, Augusto Pinto, Erasto Vitalino. Da sua turma também ainda fazia parte seus irmãos Deusdedith e José Maia. Sobrinhos como José Yaporan, Waldimir (Vadô), Ronildo eram de gerações mais novas. Pedro Maia a essa época gostava  muito de jogar bilhar e Snooker na AGA. Aliás da AGA foi membro, Diretor e Conselheiro durante muitos anos, tendo inclusive jogado na mocidade um razoável futebol. Mas era de voleibol que gostava de jogar e jogava bem, face à sua altura. Embora não cantasse, era um grande amante da música, especialmente das Serestas cantadas pelo cancioneiro de Garanhuns: Manoel Teles. Apreciava igualmente Augusto Calheiros e o "Rei da Voz", Francisco Alves, além de Nelson Gonçalves e Carlos Galhardo. Sempre estava a cantarolar as músicas destes cantores.


Filho do conhecido homem público Tomaz Maia que foi Prefeito na década de 1930, Pedro tornou-se figura conhecidíssima de Garanhuns, quando começou a trabalhar na então Delegacia do Imposto de Renda. Seu emprego conseguido por recomendação do Dr. Costa Porto, político de influência na área federal. Nunca dele se aproveitou para tirar vantagens de qualquer natureza. Foi sempre muito rígido e correto no seu trabalho, tendo comportamento exemplar nas suas atitudes de filhos: Tomaz, Pedro Carlos(zizo), Marilene, Rosa, Marcílio, Sheila, Márcia, Suzana, Antonio e Pedro Maia Júnior, quase todos casados e que deram ao casal muitos netos.

Pedro Maia, nunca desejou se afastar de Garanhuns, embora tivesse tido muitos convites para ocupar outros postos no Imposto de Renda de outros estados. Preferiu sempre ficar apegado à sua terra. Quando ia ao Recife, era por poucos dias, ou até horas. Não suportava o calor e o movimento das ruas.; preferia a tranquilidade da Avenida Santo Antonio, ou a calma do  recesso do seu lar, ou o frio de Garanhuns e as conversas com amigos à noite, no então Café Glória e em outros pontos. Pedro Maia, conhecido de toda Garanhuns, foi ao longo dos 70 anos de sua vida, um pacato cidadão, de voz mansa, amigo e prestativo para todos. Por isso registro com um misto de alegria e tristeza a personalidade de Pedro Maia. Tristeza pelo fato do seu passamento, que deixa entre seus familiares, amigos e conhecidos, uma profunda saudade. Alegria por registrar como um preito de homenagem a sua vida e sua passagem, nestas páginas de "O MONITOR". Rendo portanto a minha homenagem póstuma ao cidadão PEDRO DA SILVA MAIA, o conterrâneo, o amigo de todos nós, o meu tipo inesquecível.(Fonte da Pesquisa: jornal "O MONITOR", de 01.11.1986.)

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