quinta-feira, 24 de outubro de 2013

LIVRO FAZ HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DA DITADURA MILITAR



Os Colares e as Contas – Poemas Políticos, de Marcelo Mário de Melo. O autor define a publicação como a síntese poética de uma experiência política.

Marcelo dedica poemas a 25 militantes, perseguidos políticos pela ditadura, exilados, presos, desaparecidos e mortos, como Gregório Bezerra, Miguel Arraes,  Jonas Barros, e Ivan Aguiar. O livro reúne 116 poemas divididos em seis capítulos: as lentes da poesia - linhas gerais - poemas anti-burocráticos - coisa de prisão-  poemas verbo-visuais e pichemas.


MILITÂNCIA


A Jonas Barros(1946-1964) e Ivan Aguiar(1941-1964). Estudantes metralhados no Recife em 1º de abril de 1964, na repressão à passeata em defesa do governo de Miguel Arraes.



Um militante
não pode ter medo da verdade
porque verdadeiros são
a fome do povo
as ilusões do povo
o desencanto do povo
a alegria do povo
o atraso do povo
a sabedoria do povo
as maldades do povo
as virtudes do povo
as fraquezas do povo
e a sua força.

O militante é puro e impuro
como o seu povo
e deve olhá-lo
e se olhar
de frente
passado
futuro
presente.

E se é verdade
que povo
sem militante
não dá um passo adiante
também é verdade
que militante
sem povo
não cria nada de novo.

O militante
deve sempre se lembrar
de que militar
não é querer
militarizar
a vida profana
e paisana
do povo.

Que a militância
não deve ser
uma torre de mistérios
um clube
de acionistas
minoritários & majoritários
disputando as rédeas
para cavalgar
o povo.

E é preciso ter
muito cuidado
a cada instante
para não rimar nunca
militante
com arrogante.

Porque a militância
deve ser
uma ciranda
um corpo
um caminho
largo e iluminado
que o povo segue
livre
de mãos dadas.

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