sábado, 14 de setembro de 2013

O MENINO DE BREJÃO

LUIZ SOUTO DOURADO



José Cícero de Barros Pinto, 
nasceu em  10 de setembro de 1946.
 Concluiu o  curso de alfabetização e primário
 em uma  escola do Sítio Cágados, "Escola de Quedê"
 município de Brejão - Pe. Concluiu  Curso Ginasial no Colégio Diocesano de Garanhuns.



De Brejão a Garanhuns, ele viajava quase sempre de caminhão e quase sempre de favor. Ia estudar à noite no Ginásio e pensava que o estudo, como o transporte, nada lhe custava. Ás vezes, voltava para dormir no sítio; às vezes dormia debaixo das marquises  das lojas. Mas para ele o  importante não era dormir, era estudar. E nessa rotina, dura demais para um adolescente, foi levando a vida durante anos, até que um dia, de curso concluído, apareceu na minha casa.

O padre Adelmar revelara quem era o deputado que  destinava a sua verba no orçamento aos meninos pobres de Garanhuns, e cuja destinação ficava ao critério do diretor do colégio. Estava agora na minha casa para agradecer os estudos, que na verdade fora  o próprio Estado que lhe proporcionara, e pedir um conselho. Queria saber do seu "protetor", que mal lhe conhecia, se entrava na SUDENE, por concurso, ou por concurso, ingressava na Polícia Militar do Estado.

Diante da responsabilidade da opção, perguntei-lhe o que pretendia vir a ser. Engenheiro, respondeu. Ponderei-lhe então que na Polícia Militar uma carreira ajudava a outra, já que a sua vocação coincidia com ambas e os seus conhecimentos garantiriam o caminho que melhor lhe parecesse.

Ingressou na Polícia Militar e o perdi da vista até que numa manhã de sábado procurou-me em Boa Viagem para fazer da minha filha a sua madrinha na entrega da espada de oficial. O menino de Brejão estava agora recebendo os cumprimentos dos parentes e amigos. Agora era oficial, não mais dormia nos bancos de jardim, não mais usava o caminhão de favor, pois até aparecia dirigindo o seu carro esporte, não de playboy, mas de estudante de Engenharia. Foi quando me fez o seu primeiro e estranho  pedido: queria trabalhar de graça numa repartição especializada do Estado. Para não desapontá-lo, levei-o a um Secretário do Governo que me deu a mais desestimulante e ao mesmo tempo correta desculpa.

Não era permitida a contratação de serviços sem a justa remuneração. Ficou bem contigo e com regulamento. Um jovem futuro engenheiro praticar de graça uma profissão que iria exercer, não era possível aqui. O jeito era sair para o Exterior, participar de congressos de sua especialidade. E ele foi a quantos foi possível ir. Na volta, aparecia para me mostrar os certificados de aproveitamento.  Por outro lado, na Polícia Militar de Pernambuco, com igual esforço e tenacidade, foi fazendo a sua carreira com  regularidade e eficiência, de modo que se ainda não é major, capitão deve ser o seu posto.

Neste fim do ano de 75, entre tantos convites de formatura, o do menino de Brejão, José Cícero de Barros Pinto, trazido por ele próprio, foi-me particularmente honroso. O seu esforço vencendo todos os obstáculos até o recebimento do seu diploma, foi uma caminhada: direi mesmo heróica. Começa no  trecho que vai do sítio do seu pai em Brejão à margem da estrada que o levava a Garanhuns, onde concluiu o seu curso e partiu para novas conquistas.

Foi pensando no seu exemplo, engenheiro José Cícero de Barros Pinto, que criamos a Faculdade de Administração de Garanhuns, que ficou no papel, e mais ainda fomos a Brasília falar com o Ministro da Educação para transferir para Garanhuns a Universidade Rural, problema que não ficou no papel porque esse nem papel  tinha. Ficou na ideia, válida mas sempre adiada, da interiorização do ensino superior, cuja  demora vem enfraquecendo tantas vocações e, que é mais grave, adiando o futuro de tantos jovens, como se isso fosse possível.

A interiorização da Universidade é a única forma de criar áreas tranquilas de aprendizado e mão-de-obra ao mesmo tempo que evita que os grandes centros, como Recife, se tornem menos angustiantes e mais humanos.

José Cícero de Barros Pinto, Brasileiro, casado, natural de Brejão - Pernambuco, nascido  em  10 de setembro de 1946.

1959 - Conclui curso de alfabetização e primário em escola do Sítio Cágados, "Escola de Quedê" município de Brejão - Pe.

1963 - Conclui Curso Ginasial no Colégio Diocesano de Garanhuns.

1966 - Aprovado no Curso de Oficiais da Polícia Militar do Estado.

1966 - Aprovado no Colégio Universitário da Universidade Federal Rural convênio com a SUDENE.

1969 - Conclui o Curso de Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco.

1970 - Aprovado no Curso de Engenharia Civil pela Universidade Católica de Pernambuco.

1975 - Conclui o Curso de Engenharia Civil pela Universidade Católica de Pernambuco.

1975 - Pós-Graduação em Engenharia Sanitária pela Universidade Católica de Pernambuco. 

1976  - Conclui Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais - PMPE.

1977 - Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade Federal de Pernambuco.

1992 - Conclui Curso Superior da Polícia, na FUNDAJ.

PUBLICAÇÕES:

- Curso de Engenharia de Custo.

- Estudo de Variação de Preços na Indústria da Construção Civil (Sevt/85 a Fev/86).

- Publicação mensal do Informativo e Tabela de Preços do SINDUSCON.

- Sindicato da Indústria da Construção Civil do Recife (entre 1982 a 1989).

CURSOS MINISTRADOS:

Curso de Engenharia de Custo, Clube de Engenharia de Pernambuco.

MEDALHAS:


1 - Medalha Pernambucana do Mérito Policial Militar.

2 - Medalha de 10 (dez) anos da PM Passador de Bronze.

3 - Medalha de 20 (vinte) anos da PM Passador de Prata.

4 - Medalha 30 (trinta) anos da PM Passador de Ouro.

5 - Menção Honrosa do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura por relevantes serviços prestados a Sociedade Pernambucana.

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