segunda-feira, 9 de setembro de 2013

JUSTIÇA FEDERAL DE PERNAMBUCO RETIRA CENSURA DE CORDEL


A Justiça Federal de Pernambuco liberou, na última quinta-feira (5), o cordel "A Lei da Previdência para a Aposentadoria" do poeta e artesão Davi Teixeira para circulação e comercialização.

O cordel havia sido censurado a pedido do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e foi recolhido de todos os pontos de vendas nos quais o artista disponibiliza suas obras para venda.

Eis a íntegra do folheto  de cordel "A Lei da Previdência para aposentadoria":

Pra você se aposentar

Tenha a profissional,

Registro de nascimento,

Só serve o original

Até você conseguir

Vai sonhar e passar mal.

Essa aposentadoria

Que agora vou destrinchar

Pede tanto documento

Dá vontade de chorar

O pobre sofre demais

Senhor pode acreditar.

Com cinquenta de trabalho

O cabra velho e cansado

Não tem ânimo para nada

Vive ali sacrificado,

Passa horas numa fila

Deixando ele irritado.

Idoso vive sofrendo

Na fila dos hospitais

Chegando de madrugada

Do lugar ele não sai,

Com fome muito doente

Ali mesmo ele cai.

Trabalhador brasileiro

Cidadão muito humilhado

Só na hora do seu voto

Novamente é abraçado,

Só nas próximas eleições

De novo vai ser lembrado.

Políticos mudam as leis

Cada vez mais complicando,

Só não mudam para eles

São muitos se aposentando.

Eles morrendo de rir

Deixando o pobre chorando.

Para o pobre dar entrada

Preenche um documento

Passando por junta médica

É aquele sofrimento,

Manda ele voltar depois

Para dar o seguimento.

E também tem que trazer

No papel todo escrito

O nome dos seus vizinhos

Para mostrar ao perito

Nem mesmo ele entende

Achando tudo esquisito.

Sem direito a reclamar,

E sempre no hospital,

Ter a cara enrugada

Isso é o principal

Pernas finas e os braços

E enxergar muito mal.

Andar com uma bengala

E no bolso identidade,

Não ser do interior

Tem que morar na cidade,

E sem ter nenhuma renda

Que viva de caridade.

E também pagar imposto,

Em dia na prefeitura,

Vai dizer que passa fome

Pra comprar a sepultura

Vai mostrar que ta banguelo

Nunca teve dentadura.

E mais de cinquenta e três

Também você tem que ter,

Não saber contar e somar

nem tão pouco escrever.

E provar que está vivo

Dizer que não quer morrer.

Decorar todos os números

Dos seus próprios documentos,

Tirar foto com políticos

E sempre ficar atento,

Para ali não ser roubado

Lá dentro do parlamento.

Não pode ter casa própria

E só morar de favor

Anotar todos os lugares

Dia e mês por onde andou,

Levar todo relatório

Para mostrar ao doutor.

Nome da maternidade

Onde seu avô nasceu

registro de nascimento

E mostrar quem escreveu,

Ou atestado de óbito

Se acaso ele morreu.

Se você tem tudo isso

Vai logo se aposentar

Tá Faltando um pouquinho

Agora vou lhe falar,

Ter foto com Lampião

Pra você também mostrar.

Essa lei da previdência

Tudo pelo social

Não vale para políticos

Pra eles isso é normal.

O pobre tem que sofrer

Comer pouco e passar mal.

O morcego e o político

Pra mim eles são iguais,

Político tira dos pobres

Morcego dos animais,

Vejo na televisão

É assunto dos jornais.

Não fique aí estressado

Cidadão trabalhador

Junte o que conseguiu

Entregue para o doutor,

Ele vai analisar

Depois chamar o senhor.

Tudo bem analisado

É grande o carnaval

O doutor manda chamar

Que faltou o principal,

Dia e hora em que nasceu

O nome do hospital.

Já tudo esclarecido

Aguardando o chamado

Com cinco horas na fila

Ele fica todo inchado

É caso pra se pensar

Ficou tudo engavetado.

Já depois de cinco anos

Recebe o resultado

Uma carta avisando

Você tá aposentado.

Dá-lhe uma tremedeira

Ele fica desmaiado.

Levado pelos parentes

Direto pro o hospital

O doutor faz o exame

Ele está é muito mal,

A pressão dele baixou

Dá pra ele um Sonrisal.

E mesmo assim não tem jeito

De o pior acontecer,

Sem um bom atendimento

Isso é pra gente saber,

A saúde tá uma merda

E só fazem prometer.
(Fonte: Portal  O Nordeste.com)



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