segunda-feira, 8 de julho de 2013

ANTÔNIO PAULO DE MIRANDA FILHO

Alberto da Silva Rêgo


Sapataria Moderna - Década de 50.

Na luta pela sobrevivência, o velho Antônio Paulo colocava no seu estabelecimento comercial os filhos a fim de ajudarem-no na tarefa de ganhar o pão de cada dia e, obviamente entrar cedo na escola da vida do trabalho.

Certa vez fui à Clínica Paulo Filho, bairro de Fátima (1941) no Rio de Janeiro. Agradável surpresa. Disse-me em tal ocasião que minha mãe era quem fazia o melhor "pé de moleque" pois saboreava, muitas vezes, este tipo de bolo feito por D. Zózima.  Prometi e não cumpri a promessa de um dia atender ao seu desejo de saborear novamente "pé de moleque" feito por minha genitora. Em 1951 acompanhei o Mário Lira que precisava consultar um oculista. Ao ser introduzido na sala onde ele atendia aos clientes, reconhecendo o Mário, mandou chamar a recepcionista e disse: "Devolva-lhe o dinheiro da consulta. Este é meu sócio-amigo".

Conversando certa vez, com o Dr. José Eurico Dias Martins, do M.A. meu professor de Pomicultura, no Curso de Especialização, disse-me conhecer o Paulo Filho e admirá-lo por ser um homem grandemente humanitário.  Em certo dia, ao lhe fazer uma consulta, verifiquei, na mesma sala em que, como cliente, pagara a consulta, havia outras pessoas inclusive algumas modestamente vestidas e sem exibir o cartão respectivo de pagamento, e que foram atendidas na minha frente, certamente em cumprimento a ordem de chegada. Aguardei a minha vez. Ao penetrar na sala onde ele se encontrava, durante o período em que eu era examinado, não pude conter a minha curiosidade de  cearense e indaguei, sem muita cerimônia, quem eram essas pessoas. Disse-me, sem muita cerimônia, quem eram essas pessoas. Disse-me,  Paulo Filho, são consultas grátis, que atendo no meu consultório e para que elas não se sintam humilhadas, resolvi que deviam ficar na mesma sala, em igualdade de condições, com os que pagam.

Estudando e ajudando o pai na sapataria, Paulo filho também tinha tempo para paquerar. Ei-lo, então a versejar, publicando no "O Imparcial", um soneto dedicado a uma menina moça, muito bonita, que chegou a ser Miss Garanhuns.

SONETO PARA M.N.G.

Antônio Paulo de Miranda  Filho


Logo que te fitei, gentil Maria,
Minh'alma se inflamou com emoção!
E sentindo que em mim tudo sorria
Também sorriu no peito o coração.

Daqueles olhos teus, azuis, saía
A doçura do amor numa eclosão!
E eu fremia de gozo  e ardente de paixão!

Os teus cabelos louros, refulgentes,
Ao nível colo teu rolam silentes,
Quais fios de ouro num marmóreo manto...

Mas, Oh! Maria, o meu amor é imenso!...
Não desprezes o bem que eu te dispenso:
Eu te quero demais... Eu te amo tanto!
(Jornal "O Imparcial", 24/07/1922).

Nenhum comentário:

Postar um comentário