quarta-feira, 25 de julho de 2012

O CRISTO DO MAGANO


Ronildo Maia Leite

Magnífico esse Magano.

Seu Cristo está mais perto do céu
do que o Redentor,
dos cariocas, um corcovado.
Esse, não.
É miúdo em tamanho, mas se empertiga no nicho.
Sem se curvar nem um pouco,
estica os braços,
arrebita a cabeça,
desacocha os espinhos,
infla a caixa-de-peito,
faz finca-pé nas traves da cruz,
desatarracha os pregos,
olha sisudo pras coisas.

Um Senhor Jesus.

Ao seu redor,
200 metros lá embaixo
a cidade que já foi dos cariris
chegados dos Andes,
dos negros de todas as áfricas.
Depois dos brancos
bichinho ruim da peste, aqueles brancos,
que chegaram com a morrinha
matando índios e surrando escravos.

Ele faz que nem vê,
perdoar que sabe.

No final das tardes, cruza os braços pro infinito,
para amornar a bolota do sol,
o mais emocionante pôr-de-sol da face da terra.
Descruza os braços espalmando as mãos
Como fazem os padres dando benção ao povo,
como fazem os pais abençoando os filhos.

Então,
dá um sopro bem grande na frescura do sol.
Mas, não se apaga o dia.
Do entrebraços, o redondo da lua.
Clara, gordona.
Cortina de neon, sugere a cordilheira,
pois já me disseram ser esse luar
um trancelim no pescoço das serras.
(Foto: O Cristo do Magano em Garanhuns).

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