segunda-feira, 14 de maio de 2012

SÚPLICA DA TERRA PARA A NUVEM


Moura

Querida nuvem alvinha
Que andas no firmamento
Te vejo tão enxutinha
Como eu neste momento...

Nesse teu perambular
Te lembras do meu jardim
Que só vive a suspirar
O teu chôro sobre mim?...

Te adoro. te anseio
Te miro tanto de cá
Mas noto que tens receio
De no meu colo chorar...

O teu choro é alegria
Para minha filharada
E sem ele a tirania
E deixa bem resecada...

O teu chôro benfazejo
A tudo pode criar
Portanto vês meu desejo:
Vás te pejar lá no mar

Para depois de pejada,
alvinha, quero te ver
Pois a lágrima derramada
Faz tudo em mim reviver...

Estou aqui ressequida,
Meus filhos passando fome
E tudo minha querida
A vil secura consome...

Se tua lágrima não vir
Depressa molhar meu rosto
Afirmo que tudo aqui
Se mirrará de desgosto...

Suplico que venhas logo
Tirar-me o peso da cruz
Mas quando vieres rogo:
Que peças ao Bom Jesus.



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