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sexta-feira, 18 de maio de 2012

PRÉDIOS HISTÓRICOS DE GARANHUNS - PARTE 1



Garanhuns é, como o seu próprio nome indica, uma cidade histórica. São os guarás e os anuns. Os índios, os negros. Os sertanistas, os caboclos. O rio Mundaú, as vilas, as águas, as serras, o clima e, é tão bonito dizer isto, as flores. Os homens também. Os titulares da história, que fizeram Garanhuns... que plantaram as árvores e que construíram as casas. Os que moraram e que deixaram os sinais da passagem. São muitos, mas é urgente que se rememore um apenas. Um dos maiores vultos: Ruber van der Linden. De quem o nosso historiador Alfredo Leite Cavalcanti disse: "Um dos mais preciosos cidadaõs garanhuenses" - História de Garanhuns, Vol. II, pág. 140. Este homem foi engenheiro, professor e poeta. Planejou e executou os primeiros serviços de água e de luz de Garanhuns. Os mesmos que, com os anos, sendo alterados pelo progresso, estão aí hoje, sob o domínio da Compesa e da Celpe. Teve grande participação na cultura, ensinando línguas, física e química. Organizou e escreveu muitas revistas e jornais. Fez o "Pau Pombo", hoje com o seu nome.

Homenageado também, não fazia um ano de sua morte, pelos fundadores do Grêmio Cultural Ruber van der Linden, em 1949.

Em seu famoso soneto "Garanhuns", em que deseja e prevê o progresso desta cidade, escreveu os dois primeiros versos assim: "Alcandorado no pendor de um monte/ um casario a se elevar no barro". Tempos depois (1944), construiu a casa onde morou e que foi a sua última morada: o prédio - atualmente conhecido como "O Castelinho", que fica à Avenida Getúlio vargas, atrás do Colégio Evangélico XV de Novembro. Na época, foi uma das melhores casas de Garanhuns e continua, hoje, bonita e de valor histórico muito grande. É a casa de Ruber van der Linden! O marco que melhor pode guardar a sua memória, querida, que jamais será apagada por Garanhuns. Porque esta morada ilustre está historicamente entre "Um casario a se elevar do barro". E em barro só nunca, é o desejo da família garanhuense, haverá de se tornar.

Esta casa, não obstante o que representa, encontra-se, todo mundo sabe, abandonada. Contudo, o Prefeito de Garanhuns, promete que ela vai funcionar como um "Espaço de Cultura", onde acomodará exposições artísticas e servira para lançamentos de livros. Isto tranquiliza! O anseio é que Garanhuns não padeça. A sua história, pelas formas mais vivas e presentes, que são casas, as praças, os monumentos, não venha sofrer perdas.

O prédio do Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti, outro monumento de grande importância, foi tombado como patrimônio histórico, oficialmente. Em 19 de julho último, por ocasião da abertura do Festival de Inverno, Bartolomeu Quidute, como Prefeito, e Raimundo Carrero, como Presidente da Fundarpe, assinaram o documento definitivo. O Centro Cultural, como o nome do gremista e historiador Alfredo Leite Cavalcanti é uma memória assegurada por lei. O Grêmio Cultural Ruber van der Linden aplaudiu o ato, como Garanhuns ficou feliz. Salve a nossa história!
(Fonte: Matéria publicada no caderno Espaço Cultural do jornal "O Monitor", em agosto de 1996.
Quatro meses após esta matéria "O Castelinho", foi ao chão.
1ª foto: O Castelinho em Julho de 1996.
2ª foto: O que restou do Castelinho em Novembro de 1996.


"A cultura está para um povo como a alma está para a vida, um povo sem memória, é um povo sem destino. É muito triste quando culturas são esquecidas, transformadas, ignoradas, mutiladas, é triste quando um povo não pode contar sua história".


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