quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Vendedor de Erva


Marcílio Reinaux

"Olha aquí, minha gente, eu
tenho remédio pra tudo. Pra
toda doença. Peça e aproveite".

E ele doente de tudo, vai vendendo
As suas ervas, em latas, potes, vasilhas...
Raízes, sementes, cascas de plantas
De tudo tem. Pra todos os males.
"Só não tem remédio para morte"
Diz o vendedor.

Tem boldo para o fígado,
Colônia como calmante,
Sasafraz para reumatismo.
Alecrim para a dentição.
Perpétua-branca, para asma.
Erva-Doce, para enxaquêca.
Pega-Pinto, para uretra.
Jurema-Branca, para o banho e
Semente de Romã para garganta.
Ainda tem caroço de Jucá,
Para os intestinos, Morocó
Pra todo tipo de fraqueza.
Semente de Inhame para derrame.
Gergelim para os nervos,
Canela para o estômago.
E o Giló para reumatismo,
Malvarosa para lambedor,
Bom-Nome para os intestinos e
Semente de Gerimum para o "miolo".

Pedra Ume, para lavagem e
Raspa de Catingueira para
Os nervos. Eucalípto para febre.
A salsa serve para alergia,
O Velame para reumatismo,
O Capim Santo para o estômago,
Sena para o resguardo
Ameixa para inflamação, e a
Alfazema cheirinho de criança)
Para defumar. E o Cambão serve
Para o Catarro.

"Olha aquí minha gente, grita
O homem, eu tenho remédio para tudo".
(Tosse, catarro, pigarro, cigarro),
De fala entremeada, cigarro no canto
Da boca, cheiro acre, poluindo o
Espaço. "Pra toda doença...
Peça e aproveite".
Vai assim o "Vendedor de Remédio"
Vendendo saúde a preços módicos.
E a dele?
(Foto: antiga Praça da bandeira hoje Praça Mons. Adelmar da Mota Valença ao fundo estação ferroviária e do lado direito Avenida Dantas Barreto).

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