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quarta-feira, 9 de maio de 2012

ALOÍSIO SOUTO PINTO "UM LÍDER POPULAR"



Luiz Souto Dourado (em memória)

Aloísio Souto Pinto(foto), faleceu na passagem entre 31 de dezembro de 1968 a 1º de janeiro de 1969, faleceu em sua residência, vítima de moléstia do coração.
"O último dia do ano não é o último dia do tempo, disse Drumond. Mas para Aloísio Souto Pinto foi. Mal surgia 1969 um sentimento de frustração, de perda, vinha abater a euforia, a esperança no novo ano.
Estava ainda na missa. E assistí aquela multidão deslocar-se para a casa dele, para aquela mesma casa para onde fora tantas vezes levar Aloísio, depois de suas vitórias. Na verdade, ele fora um íntimo do povo e das vitórias. Já estava acostumado com o calor de ambos. A derrota para ele era um choque insuportável, uma dor imensa. Um ano novo, um novo dia, não mais lhe interessava".
No meu entender, Aloísio não foi propriamente um coronel, com postura e o poder dos coronéis da política de antigamente. Foi mais um líder popular, com a casa sempre aberta a uma invulgar disposição de interferir em favor dos amigo, e de ajudar os humildes.
Reconheço que Aloísio era um telúrico. Dominava-o um estremado sentimento da terra, das causas da sua terra.
Nas passeatas do Diocesano, desfilava a cavalo, como se defendesse uma cidadela.
Sabendo o sentido tudo isso, inaugurei o seu retrato na Estação Rodoviária, que concluímos. Dei o seu nome ao trecho da praça, que ele iniciara mas não pudera terminar.
Procurei assim do seu nome fazer sempre uma lembrança. Aliás, muito fácil para quem deixa o nome no coração do povo.
Aloísio, na ajuda aos seus pais, mascateou muito por estas bandas, inclusive a cavalo. Foi jogador de futebol amador, onde não predominava o vil metal. Depois, ficou apitando jogos de futebol aquí e noutras cidades. Antes também de ser industrial na rua Dom José com fabrico de vinho, gasosas, foi também observador meteorológico (Ministério da Agricultura).
Na política pertenceu ao diretório da UDN, dando novas roupagens no dizer do advogado José Francisco de Souza após sua brilhante vitória derrotando seu adversário por quase 70% da votação no pleito de prefeito de Garanhuns. Antes, fora eleito vereador em duas legislaturas, sendo Presidente da Câmara. E por ser Presidente desse Poder, assumiu as rédeas do município por dois meses substituindo o Dr. Celso Galvão que fora para o Rio, a tratamento de saúde.
Também por duas legislaturas foi deputado estadual. A primeira pela UDN e a segunda pela Arena.
Aloísio Pinto nasceu em 6 de agosto de 1914, na cidade outrora chamada "Palmeira de Garanhuns", hoje Palmeirina.
Em todos os setores de sua vida pública e privada, Aloísio foi grande prefeito. Basta dizer que na sua gestão o município de Garanhuns era composto de sete distritos (Paranatama, Caetés, São João, Brejão, Miracica, São Pedro e Iratama).
Ele governou nossa terra com o dinheiro de Garanhuns do seu povo e todas suas prestações de contas teve o beneplácido do Poder Legislativo.
Através de projetos de Aloísio Pinto, Caetés e Paranatama ficaram independentes. Brejão e São João, foram emancipados também graças aos deputados João calado Borba e Elpídio de Noronha Branco, respectivamente.
Na hora de sua morte, abraçado ao filho mais velho, Economista Fernando Antônio de Siqueira Pinto, perguntou este porque a luz tinha apagado(nesta cidade era velho costume apagar as luzes a meia noite e depois voltar, já no novo ano). Fernando respondeu, com ares de quem estava prevendo o fim do pai, respondeu; "E meia noite. A luz se apaga e depois acende". Aloísio ficou pensativo e Fernando perguntou: "O sr. está pensando em quem"? E Aloísio já morrendo pronunciou suas últimas palavras: "Estou pensando na família" e neste momento se despedia para o outro lado da vida "onde nunca morre" no dizer do querido professor Uzzae Canuto.
"Aloísio Pinto foi um inesquecível benfeitor de nossa e sua Garanhuns.
Um dos vultos de nossa cidade que lutou e venceu em todos os setores da sua vida política e social", como bem disse o Dr. José Francisco de Souza, que foi um grande valor cultural desta terra.
Elevar e engrandecer a figura de Aloísio Pinto, é enaltecer a terra dos "Mochileiros" da qual ele fará sempre parte, mesmo depois de morto.
Em qualquer parte deste município, existe um marco, uma obra deste valoroso homem, pela grandeza da sua terra e da sua gente! Esta é a verdade.

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