Monday, April 16, 2012

UM NORDESTINO CHAMADO SERAPIÃO SUAS ANDANÇAS E HISTÓRIAS


Já dissera alguém: Todo o nordeste é terra de homens do pensamento: poetas e prosadores. E aqueles que visitam as terras do nordeste vêem e sentem que os que ali nasceram e naquela gleba vivem, muito especialmente os da zona árida das sêcas, são apesar da sua luta infrene, bem felizes quando na contemplação das pompas da natureza, ou na exaltação dos seus antepassados.

Os pernambucanos, nas cidades, admiram embevecidos um céu estrelado, como o matuto ao entardecer, nas matas, se entrega à poesia e à prece do Ângelus. Nas fazendas e nos povoados, muitos passam horas no enternecimento das cantigas magoadas dos seus violeiros. Eles cantam as belezas da sua terra e os feitos dos seus antepassados. Sejam eles do sertão, da mata, dos povoados ou da cidade. Todos eles tem um sentimentalismo profundo, puro, quase místico. Sabem viver na tradição e honram os seus mártires, num culto permanente. Recordam os verdadeiros patriotas e se entusiasmam pela bravura de um conterrâneo. São democratas puros.

Nas escolas e nas associações culturais, são exaltadas as figuras e os feitos de 1710, 1817, 1823 e 1824. O verbo inflamado de Bernardo Vieira de Melo, a dignidade do Padre João Ribeiro, do vigário Tenório, de Domingos José Martins e de outros de 1817; os exemplos de Frei Caneca e do Desembargador Nunes Machado, em 1824 e em 1848, jamais foram esquecidos. Ainda hoje muito se escreve, com respeito e veneração, sobre as atividades e atitudes dignas dos idealistas sinceros, como Nabuco, Martins Júnior, Dom Vital, José Mariano e sobre muitos outros pernambucanos. Sempre foi um assunto preferido pelos homens de letras do Norte. Filho do nordeste, teria Serapião também a sua alma cheia de patriotismo embora romântico, para muito admirar os homens do passado, e conservar a sua fé no engrandecimento e independência total do Brasil. Por isso ele guardou esta afirmação do Monsenhor Afonso Pequeno, em "O Sertão": "Bem aventurado o povo que sabe cultuar os seus maiores, amar os seus poetas e viver na contemplação mística das belezas criadas pelo Supremo Artista".
E na sua cidade estão radicadas famílias representativas da gente pernambucana: Os Arcoverdes, Albuquerques, Lins e Cavalcantis; descendentes dos Van der Lindens e Wanderleys. São muitas as famílias que procedem do tronco Jerônimo de Albuquerque e da bela princesa Maria do Espírito Santo, filha do Cacique Arcoverde, cujas filhas casaram com os fidalgos Sibaldo Lins, de origem alemã, e Filipe Cavalcanti, italiano.

Os pernambucanos se orgulham da sua origem romântica, na Marina dos Tabajaras, a velha Olinda; como os baianos da lenda Paraguacu, a linda filha do Cacique Taparica, com Diogo Álvares, o Caramuru, na taba dos tupinambás; também os paulistas se encantam com a história suave de Bartira, a flor do Piratininga, também filha de um Cacique, o Tibiriçá, que marcou o primeiro romance brasileiro, casando-se com João Ramalho. Hoje Serapião bendiz a sua felicidade de ter nascido em terra nordestina. E ele realmente gosta dos romances brejeiros.
(Serapião viveu nesta região no início do século XX, e suas histórias são contadas por José Pantaleão Santos).

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