quarta-feira, 18 de abril de 2012

TIPOS DE FEIRA: O VENDEDOR DE PASSARINHOS

Marcílio Reinaux

Na conversa do vendedor,
Não existe pássaro ruim.
Nem doente, nem mudo.
Todos são bons cantadores.
Plumagem sadia, sem doenças.

Na feira de passarinho,
O multicolorido mundo das
Penas, entremeados aos cantos,
Multisonoros: agudos, graves.
Trinados maviosos, cânticos
Arremedados, grunidos...
Silvos fortes, transportando as
Alegrias dos pequenos seres alados.

Azulão, Sabiá, Asa-branca,
Do papa-Capim miudo, até ao
Marreco tranquilo, todos são vendidos.
O Sangue-de-boi, com penas escarlates.
Curió (de preços altíssimos), até o
Popularesco Canário da Terra. O Gavião
Tapacu, Sete-Côres e os
Periquitos verde-azulados.

Canário do Império: brancos, verdes...
Os Louros. "Dá o pé meu lôro", diz o
Passante. O Papa-Arroz, a Craáuna e o
Galo-de-Campina, com sua bela cabeça.
O Cardeal, o Cancão e o Concriz.
No canto do Ferreiro (Araponga) o
Trinado vigoroso.

A Patativa (tão pequenina)
Preferida das crianças, ao lado do
Pintor e do Curiatã.
A Amburguesa com seu canto melancólico.
Raramente uma Coruja, muda.

Na "conversa" do vendedor, o
Canto de vitória: mais um
Pássaro vendido. Trocado o
Canto pelo dinheiro o homem
Troca o convívio das aves
Pela sua sobrevivência.
E os pássaros continuarão
Engaiolados, cantando, cantando.

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