terça-feira, 24 de abril de 2012

JOSÉ PRAXEDES DE BRITO O BENFEITOR DO TIMBÓ


HISTÓRICO DA IGREJA DO TIMBÓ CONTADA EM VERSOS PELO SR. JOSÉ PRAXEDES DE BRITO, DEVOTO DE N. S. DE NAZARÉ E PATRONO DA REFERIDA IGREJA.


Na era do cativeiro,
Não sei da data e do ano,
No Timbó chegou um negro,
Nas matas vivia morando,
Dizia venho da Bahia,
Estou por aqui caçando.

Naqueles tempos por aqui,
É interessante falar,
Tudo era mata virgem,
E viviam de caçar,
Foi em uma caçada dessas
Que o negro foram encontrar.

Quando encontraram o negro,
Foram a ele interrogar,
De onde era que ele vinha,
E ia pra qual lugar?
Ele disse, eu sou baiano
E venho fugindo de lá.

Eu sou um negro cativo,
Não querem me libertar,
Carreguei aquela imagem,
Vejam ela onde está.
Fiz aquela barraquinha,
Para a Virgem Santa Guardar.

Dali logo se avistava,
Pertinho do mesmo local,
Uma latada de palha,
Aonde a Virgem estava,
Coberta com palha de coco,
De uma formosura ímpar.

A imagem que ele falava,
Alí naquele lugar,
Era a Virgem de Nazaré,
De beleza sem igual,
Trazida por um cativo,
Querendo se libertar.

Os mateiros no momento
Ficaram todos sem ação,
Por uma beleza rara,
Trazida aquele torrão.
Oh! Virgem de Nazaré,
Tende de nós compaixão.

Daí correu a notícia,
Por todo aquele lugar,
Gente de toda parte,
Começou logo a chegar,
Para visitar a Virgem
Recém-chegada acolá.

Os donos daquele lugar,
Cheios de satisfação,
Foram logo a Garanhuns
De tudo fizeram menção
Pela fúria do negro,
De todos era a intenção.

Em Garanhuns havia,
Homens de toda nação,
Tomaram pé na história,
Para resolver a questão,
Dá a alforria ao negro,
Esta era a solução.

Quando tudo se espalhou,
Que o negro era cativo
E que andava na mata,
Porque vinha foragido,
Que o resultado disto,
Era de ser perseguido.

Tiveram todo cuidado,
De o negro defender,
Chegaram a autoridade,
Pedindo pra resolver,
Seria bom obter.
A liberdade do negro.

Levaram o caso a Bahia,
Terra de São Salvador,
Por meio da autoridade,
Para serem sabedor,
Quem era o dono do negro,
Que dali foi desertor.

De tudo ficou acertado,
A Alforria foi comprada,
Aonde a Santa ficou,
Era muito festejada,
E a construção da Igreja,
De logo foi projetada.

Os donos daquele lugar,
Se não me falha a memória,
Simeão Correia dos Santos Reis
E José Vitorino de Anchieta
Como conta a história em prosa
E João Sabino da Luz Formosa.

Construída a capelinha,
No tempo da monarquia,
Se festejava a Santa,
Assim o povo queria,
Os festejos de fevereiro,
Naquele tempo se fazia.

Os encarregados locais,
Procurando a freguesia
Falaram ao Sr. Bispo,
Dizendo o que ocorria,
Haver missa mensalmente
Era o que todos queriam.

Juntaram-se os velhos dalí,
Sem saber o que faziam,
Procuraram um padre velho,
Dessa mesma freguesia,
Doação do Patrimônio,
Só era o que mereciam.

Nessa mesma ocasião,
Ficou tudo combinado
A doação do terreno
Era o único resultado,
Em derredor da Igreja
Foi o terreno doado.
Passaram a administrar
Os velhos dali de então,
Foram chegando moradores,
Povoando aquele chão.
Como foreiro da santa,
Criando obrigação.

Naquele tempo por aqui,
Havia muito "timbó"
Tudo era mata virgem,
E viviam de caçar,
Cujo o nome do cipó
Deu o nome ao lugar.

Passaram-se muitos anos,
Tudo com esta missão
Velar pelo patrimônio
Era nossa obrigação,
Preparando nosso espírito
Esperando a salvação.

José Praxedes de Brito nasceu no Timbó, localidade que pertence ao Distrito de Iratama, deste município. Foi o grande Benfeitor daquele lugar onde sempre defendeu com altivez seu torrão natal, o "Timbó querido de sua vida". Em 1980 encontrou-se com o Papa João Paulo II em Manaus. Faleceu em 1986. Fica a nossa homenagem através desta postagem em sua memória de mais um homem que lutou por seu povo em favor da Cultura.

Benfeitor: Aquele que tem sentimentos de humanidade, bondoso e que se preocupa com os interesses da humanidade.

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