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Saturday, April 28, 2012

A FEIRA, O MENINO E O TEMPO


Alice Souto Dourado (em memória)

À memória de Pipe, meu irmão, que amou e serviu sua terra, sem nada pleitear.

Nos meus olhos tão cançados de repente desejei
fruir nos campos vividos a renda que ali traçei,
e de súbito me vi repensando minhas vias,
renasciam em mim os meus caminhos perdidos:
A feira de Garanhuns de antigamente,
com suas negras do Castainho vestidas de branco,
vendendo tapioca, cuscuz e beiju,
velhos pregões enchendo de sons a manhã friorenta,
agarrados às violas enfeitadas de fitas;
e "Doze Anos", - a princesa africana
com saia engomada adornada de fitas,
à cabeça a tiara de espelhos e na mão maracá,
- símbolo real de princesa negra da antiga Luanda,
que o lápis mágico de Luis Jardim tão bem fixou.
Revi as matutas das feiras passadas,
canhestras, bisonhas, vestidas de chita
e as barracas de palha, capilé e batida
e os amores fortuitos de "jacaré"...
Feira de Garanhuns de antigamente
com flores e frutos respirando madrugadas,
crisântemos dourados, gerânios sangrentos
e frágeis rosas desfolhadas ao vento;
ingás, pitangas, os cajus, piris e araçás,
frutas de crianças correndo na rua,
e a farinha branquinha que entre meus dedos
chovia, nos rústicos sacos jogados no chão,
e as bruxas de pano de pernas inteiras
de olhos de retrós e bocas vermelhas
que tive em meus braços e acalentei...
Que linda e bizarra então era a feira!
Abanos, chapéus de palha, peneiras,
candeeiros de lata e aguidás de madeira,
cavalos de barro, colheres de pau, esteiras
e os matutos cortando os cabelos na feira.
Era um mundo de cousas jogadas ao léu;
pilão, arreios, rolos de fumo, facão,
gaiolas de pássaros azuis e amarelos
enchendo de cantos a manhã que sumia
e no meu coração pequenino batia, batia!

Quem me dera voltar a antiga feira
e de lá tirar uma bruxa de pano de pernas inteiras,
de olhos de retrós e boca vermelha!
Feira de Garanhuns de antigamente,
da rua do Comércio "fervendo" de gente
e daquela menina de olhar espantado,
de cabelos louros e rosto rosado
que o tempo sorveu na sua empulheta
para nunca mais voltar.
Euclides da Costa Dourado que foi prefeito de Garanhuns em 1925, era o pai de D. Alice Souto Dourado (Alicinha), José Maria Dourado(Pipe) e do ex-prefeito e ex-deputado Luiz Souto Dourado.
Pipe Dourado foi Advogado, Jornalista, enveredou para o setor imobiliário, construindo mais de uma centena de casas, todas em estilo moderno, no bairro de Heliópolis, com recursos da C.E.F.
(foto: Parque Euclides Dourado homenagem ao ex-prefeito Euclides Dourado).

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