quinta-feira, 5 de abril de 2012

CANTOR AUGUSTO CALHEIROS

O Cantor e Compositor, Augusto Calheiros nasceu em Maceió, no dia cinco de junho de 1891.

Augusto tinha descendência indígena e nasceu em boa situação financeira. Aos 9 anos, porém, com a família desestruturada, começou a passar por dificuldades financeiras. Quando se tornou rapaz veio morar em Garanhuns. Na Suíça Pernambucana trabalhou como fabricante de sapatos, foi dono de bar, hoteleiro, subdelegado e até carcereiro. Em meio a essas atividades, arranjava tempo para cantar, principalmente nos cinemas de sua época.

Em 1923 foi inaugurada no Recife a Rádio Clube de Pernambuco, que alguns consideram a primeira emissora da América Latina.

Augusto Calheiros deixa Garanhuns, cidade pela qual se apaixonou e vai morar na capital do Estado, contratado pela Clube. Ainda no Recife o cantor faz parte da formação original do conjunto vocal Turunas da Maurícea. Com este grupo segue para o Rio de Janeiro em 1927 e dois anos depois começa sua carreira solo na região Sudeste.

Calheiros tinha um estilo de seresteiro, com músicas poéticas, às vezes tristes, que procuravam retratar principalmente o universo rural brasileiro. Chegou a ser um artista muito popular no país, dividindo as preferências do seu tempo com nomes como Jararaca e Ratinho, Dercy Gonçalves e Arthur Costa. No Rio se apresentava na Casa de Caboclo, um local de espetáculos que foi inaugurado em 1932 e ganhou fama.

                     


O cantor e compositor de Alagoas foi contemporâneo de Almirante e convidado por este se apresentou em São Paulo no II Festival da Velha Guarda.

Segundo relato do ex-prefeito de Garanhuns Ivo Amaral, no programa de Marcos Cardoso, o apelido de "Patativa do Norte" foi dado a Augusto pelo ex-presidente Getúlio Vargas, após uma apresentação do seresteiro no Palácio do Catete.

Augusto Calheiros morreu no Rio de Janeiro mo dia 11 de janeiro de 1956. Doze anos depois, seus restos mortais vieram para Garanhuns e estão no cemitério de São Miguel, onde o então prefeito Amílcar da Mota Valença construiu um vistoso mausoléu, que tem no detalhe principal um violão.

Alagoano de nascimento e garanhuense de coração, Calheiros merece ter seu nome cravado na galeria dos Grandes Nomes da Música Popular Brasileira.

"Saudade do Meu Norte"

Augusto canta as saudades de Garanhuns quando estava de partida para o Rio de Janeiro:

Adeus meu norte querido,
Maceió tão conhecido,
terra onde eu nasci.
Adeus Pernambuco tão guerreiro
Garanhuns hospitaleiro,
terra onde eu vivi.

Adeus cidade nortista
Garanhuns e Boa Vista
foi aonde me criei.
Recife, cidade da esperança
Guardo sempre essa lembrança,
não sei quando voltarei.

Ainda espero,
quem espera sempre alcança,
tenho muita esperança
de ao meu Garanhuns voltar.

Quando me lembro do sertão
daquela terra
lá do Alto do Magano
Tenho vontade de chorar.
Fonte: Jornal "Correio Sete Colinas".

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