terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Memórias de Garanhuns (47): Jornalista, músico e professor Luis de Barros Correia Brasil

Luís de Barros Correia
Brasil.
Por Alfredo Leite Cavalcanti

Sem, que nos conste, curso escolar além do primário, porém reconhecendo o seu alto grau de inteligência, Luís de Barros Correia Brasil instruiu-se com leitura de obras de grandes autores, e assim conseguiu cultivá-la e tornar-se literato, jornalista, musicista e principalmente, orador, pelo que era chamado o Rui Barbosa de Garanhuns.

Em tempos passados, ouvimos de contemporâneos dos começos da sua adolescência, haverem-no surpreendido pronunciando discursos à frente de um espelho, com a finalidade de treinos de entonações e gesticulações. E assim sempre era o escolhido como representante da comunidade nas recepções às altas personalidades que aqui chegavam, como na do primeiro bispo desta Diocese, D. João Tavares de Moura, em outubro de 1919.

Como jornalista, colaborou, em prosa e verso, em quase todos os jornais que, no seu tempo, aqui circularam, principalmente na "A Pátria", assinando os trabalhos em prosa com o pseudônimo Leontino.

Principal fundador de Banda Musical 2 de Março, em 1902, era o seu regente, e tocava requinta ou qualquer instrumento de palheta e flauta. Também dedilhava o violão e, admirador das serestas, compôs letra e música de várias canções, uma das quais foi, Augusto Calheiros, gravada em disco da RCA.

Exerceu o cargo de professor estadual do curso primário, passando a exercer, em 1907, o de Tabelião de 1º Ofício e, no exercício de Prefeito Municipal, para qual foi eleito, como candidato de conciliação dos partidos políticos, em 09 de setembro de 1922. Foi prefeito de Garanhuns de 1922 à 1924. Faleceu em 23 de dezembro 1924, sem nunca haver se afastado da cidade natal.

Memórias de Garanhuns (45): Capitão Francisco Sales Vila Nova e Melo

Por Cláudio Gonçalves de Lima

O capitão Francisco Sales Vila Nova e Melo nasceu em Bonito no dia 31 de março de 1872, era filho de João Cândido de Melo e Ana Hortência Vila Nova. Aos dois anos foi trazido pelos pais para Garanhuns. Do seu matrimônio com D. Prima nasceram oito filhos: Aurora, Abel, Aurina, Agnaldo, Zélia, Plínio, Mario e Zara.

Foi um cidadão sempre caridoso e voltado para os mais pobres, no seu trabalho social foi rábula, advogado sem diploma,  fundador da Funerária Deus, Amor e Caridade com objetivo de ajudar os desamparados,  foi um dos idealistas da Comissão Pro-flagelados da seca de 1915, recolhendo mantimentos e roupas para os exilados que vieram para Garanhuns, realizava todos os anos o Natal das Crianças Pobres, onde presenteava as meninas com brinquedos e guloseimas.

Seu nome chegou a ser citado na revista The Missionary Survey, nos Estados Unidos, como um homem muito caridoso de Garanhuns que todos os anos fazia uma festa de Natal para as crianças pobres. Recebeu duas menções honrosas e duas medalhas de ouro nas exposições de produtos e cereais de Turim e Bruxelas. 

Após cometer o assassinato do Coronel Júlio Brasileiro foi defendido no tribunal de Justiça pelo Dr. Brito Alves, sendo absolvido no dia 12 de dezembro de 1917. Retornando a Garanhuns continuou ajudando os mais carentes. Ocupou o cargo de administrador do açougue público municipal até 22 de março de 1949, quando se aposentou. Faleceu em 07 de julho de 1959, aos 87 anos, sendo enterrado no município de Jupi. Em 28 de outubro de 1960 foi homenageado pela Câmara de Vereadores de Garanhuns com o nome de uma Rua, transversal entre a Rua Augusto Calheiros e Salatiel Pessoa, no Bairro da Boa Vista. (Lei nº 317 - Livro de Resoluções da Câmara de Vereadores de Garanhuns página 130 ). 
Fonte: História de Garanhuns - Alfredo Leite Cavalcanti, Jornal A Província e Jornal Pequeno.

Memórias de Garanhuns (44): Mons. Afonso Antero Pequeno

Mons. Afonso Antero Pequeno.
Por Valdir José Nogueira

Filho do coronel Antônio Teixeira Pequeno e de dona Maria Antero Pequeno, ambos naturais de Icó (Ceará), o Monsenhor Afonso nasceu nessa cidade no dia 24/07/1871. Sacerdote exemplar e culto assumiu a Paróquia de Belmonte no dia 06 de janeiro de 1903, ficando encarregado também das Paróquias de Vila Bela e Floresta.

Desde o distante ano de 1901, inaugurou-se no Cariri, sul do Ceará, um período de inquietação política e social, que perdurou por duas décadas. Naquele mundo de canaviais, os “coronéis” alimentados pela rapadura, fizeram valer a força das armas, porquanto os mais fortes eleitoralmente nem sempre tinham como evitar a sanha dos seus adversários (inimigos), quase sempre mais fortes pelo bacamarte.

Proveniente daquele mundo de caudilhos, mas precisamente do Crato, quando chegou à Vila Bela e Belmonte, o Monsenhor Afonso Antero Pequeno, logo pediu as lideranças políticas locais armas, munição e cangaceiros para ajudar ao primo “coronel” Antônio Luiz Alves Pequeno na luta pela deposição do “coronel” José Belém de Figueiredo, que na época ocupava o cargo de vice-presidente (vice-governador) do Estado do Ceará.

O “Coronel” Antônio Pereira, líder na época da família Pereira, negou-se categoricamente a participar dessa bravata.

A família Carvalho concordou com o Monsenhor em tudo e decidiu mandar Antônio Clementino de Carvalho (Antônio Quelé) com um grande contingente armado, tendo à frente o próprio sacerdote.

Iniciado o tiroteio, em dias do mês de junho de 1904, só após 55 horas de combate, o “coronel” Belém recuou e fugiu.

Vitorioso, o Monsenhor Afonso  volveu à Belmonte e Vila Bela, decidido a hostilizar a família Pereira. Logo participou da eleição municipal de Vila Bela, elegendo-se prefeito. Numa visita que lhe fizera, Antônio Quelé assassinou em praça pública o delegado de polícia Manoel Pereira Maranhão. No júri de Quelé, além do advogado que contratou, o Monsenhor participou pessoalmente da tribuna de defesa. O Monsenhor renunciou ao mandato de Prefeito e retirou-se para Garanhuns. 

O Monsenhor Afonso Antero Pequeno permaneceu na Paróquia de Belmonte até 12/03/1907.

Em Garanhuns o Mons. Afonso Pequeno, primo do Mons. Antero e vigário da Paróquia de Garanhuns desde de 1908, conseguem a fundação em 1912, do colégio das meninas (Santa Sofia) e, ao entregar a paróquia ao Cônego Benígno Lira, exigiu dele o compromisso de fundar o colégio dos meninos. Em 1915 fundam o Colégio dos meninos.

Faleceu em  Garanhuns no dia 26/03/1918. 

Memórias de Garanhuns (43): Cel. Manoel Antônio de Azevedo Jardim

Cel. Manoel Jardim.
Por Cláudio Gonçalves de Lima

Manoel Antônio de Azevedo Jardim, nasceu em 1867, era casado com Angélica Aurora de Miranda Jardim, do casal nasceram Maria das Dores, Maria do Carmo e Luís Inácio de Miranda Jardim, que se tornaria um dos mais célebres escritores do país. 

Foi o 2º prefeito eleito de Garanhuns, obtendo na eleição 631 votos. Na sua administração que se estendeu de 1895 a 1898 criou a primeira escola pública do municipal para o curso primário, sendo a primeira professora dona Maria Jardim.

Na eleição para o mandato de 1901 a 1904 foi novamente eleito prefeito de Garanhuns. As principais realizações do seu segundo governo foi a compra de um prédio que servia de armazém ao Sr. Belarmino da Costa Dourado, a finalidade era reconstruir o Paço Municipal, em virtude, do edifício do Paço da Câmara encontrar-se em estado ruinoso. O prédio ficava localizado no edifício do antigo Fórum e depois Associação Comercial de Garanhuns, na Avenida Santo Antônio. Outros Atos do seu governo foram a criação da segunda escola municipal de curso primário e inauguração do primeiro serviço de iluminação pública, composta aproximadamente de 40 lampiões a querosene, afixadas nas esquinas das ruas e becos da cidade. 

Manoel Antônio de Azevedo Jardim foi prefeito de Canhotinho, eleito Deputado Estadual em duas oportunidades e professor jubilado. Em 15 de janeiro de 1917 foi uma das vítimas da Hecatombe.
Fonte: História de Garanhuns - Alfredo Leite Cavalcanti.

Escritores de Garanhuns: Cláudio Gonçalves de Lima



Livro: República (Ficção)
Preço: R$ 30,00
Pedidos: (87) 9 9928 - 4789 (87) 9 8124 7972 - Anchieta
Gueiros.

República é uma cidade imaginária do agreste pernambucano, dominada politicamente pelo temido coronel Antônio Brandão Morais, senhor de látego e cutelo, árbitro dos destinos da população, que segue rezando pela sua cartilha. Isso tudo começa a mudar com a chegada de um personagem misterioso a cidade, disposto a destruir um domínio quase secular da família Brandão.

Drama, trapaças, disputas e muito humor é uma constante na ficção que reconstitui a moldura das cidades antigas do Nordeste com sua politicagem e seus personagens pitorescos: O coronel, o capanga, a fofoqueira, o bodegueiro, o doido-manso, o prefeito golpista, o bêbado, a lenda fantasmagórica, o padre, o sacristão, entre outros. São esses personagens da cultura nordestina que se conservam em nossa memória e que abrilhantam o enredo da comédia com suas histórias e humor singular.

José Cláudio Gonçalves de Lima nasceu em Garanhuns, Pernambuco em 06 de agosto de 1971, graduado e especializado em História pela UPE, atua como educador de apoio nas redes estadual e municipal de ensino. Neste seu novo romance reconstitui na ficção a moldura de um dos aspectos mais vivazes da nossa política de outrora, o coronelismo, onde a cidade interiorana de República se torna o palco de dramas, armações e disputas, sob nomes de personagens fictícios, todos participantes de uma comédia atraente e contagiante.

Publicou:

Os sitiados: A Hecatombe de Garanhuns: Romance histórico -2009 - Editora Bagaço.

Inscrições para o Sisu podem ser feitas até sexta-feira(27)


Começam hoje (24) e vão até sexta-feira (27) as inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Ao todo, são 238.397 vagas em 131 instituições públicas, entre universidades federais e estaduais, institutos federais e instituições estaduais. 

O Sisu seleciona os estudantes com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cabe a cada instituição definir o cálculo que utilizará para a seleção dos novos alunos. Para participar do processo, o estudante não pode ter tirado nota 0 na redação do exame. Ao todo, mais de 6,1 milhões fizeram o Enem em 2016.

O resultado será divulgado no dia 30. O período de matrícula será de 3 a 7 de fevereiro. Os candidatos que não forem selecionados na chamada regular poderão participar da lista de espera, entre 30 de janeiro e 10 de fevereiro. Esses candidatos serão convocados a partir do dia 16 de fevereiro, caso haja vagas remanescentes.

Nota de corte

Após a abertura das inscrições, são divulgadas uma vez por dia ao notas de corte de cada um dos cursos, tanto pelo sistema universal quanto pelo sistema de cotas.

O candidato também pode consultar, em seu boletim, a classificação parcial na opção de curso escolhido. Ao final do período de inscrição, é divulgada a lista de selecionados. No boletim de acompanhamento, o candidato pode consultar sua classificação e o resultado final. Ao longo do período de inscrição, o candidato pode mudar as opções de curso.

O Ministério da Educação ressalta que tanto a classificação parcial quanto a nota de corte são calculadas a partir das notas dos candidatos inscritos na mesma opção. Portanto, são apenas uma referência, não sendo garantia de seleção para a vaga ofertada.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2017-01/comecam-hoje-inscricoes-para-o-sisu

Memórias de Garanhuns (39): Dr. José Alves Tavares Correia

Dr. Tavares Correia e sua família.
Foto: Maurício Pais.


Por Alberto da Silva Rêgo

Chegou à cidade do Clima Maravilhoso em 1923, onde permaneceu até 1952 quando faleceu. Em 1924 inaugura o Instituto Médico Cirúrgico em consórcio com o colega G. Duarte Ribeiro. Avaliando as condições ecológicas do novo lar, situado num anti plano média de 900 m, alguns lugares ultrapassavam 1.000 m, possuindo um clima ameno, considerado "maravilhoso" e água potável como a inigualável "Serra Branca", tendo a vantagem  de ser uma região leiteira e capacitada para desenvolver amplamente a produção de plantas oleícolas, não falando das floríferas, além de estar firmando-se como um dos "polos de desenvolvimento" da região nordestina, e condições de se tornar uma das principais cidades turísticas do Brasil, programou e executou a construção de uma "clínica de repouso", ao molde em que vira no Sul do país, e, de certa forma, já iniciada na urbs garanhuense, com a instalação em 1927, pelos drs. Luís Guerra e Carneiro Leão do Sanatório de Garanhuns com finalidade similar.

Inaugurado em 1929 com a denominação de Sanatório Tavares Correia, contando com a colaboração do Dr. Lessa de Azevedo, recentemente chegado na "boa terra". Havia ali, uma sala com aparelhos destinados à aplicação de "ultra-violeta". Fui um de seus habitués.

Um dia meu pai me levou ao Dr.Tavares e Lessa para diagnosticarem um tratamento específico à cura de uma cicatriz, localizada na minha região peitoral, oriunda de uma queimadura de 3º grau que, na época invernosa ficava bastante irritada e, por ser um tecido bastante fino, vivia a sangrar. Solução apresentada - operação de transplante de tecido das nádegas. Estavam capacitados para realizá-la. O velho não concordou com o uso da "faca". O Dr. Lessa então opinou pelo uso de "ultra violeta". Passei, então, a ir, todo dia, ao anoitecer (Garanhuns não tinha luz elétrica durante o dia) ao Sanatório a fim de receber o citado tratamento. Ora o Dr. Lessa, ora,  o Dr. Tavares me atendia e, então, é que a gente começava a perceber o valor do médico, na cordialidade para um jovem que vivia aflito, todo inverno, pois era a época em que a cicatriz "coçava" e sangrava e o tratamento que vinha realizando consistia no uso de esterco de curral (de bovinos), ainda quente, colocado sobre a cicatriz, numa extensão de uns 10/15 centímetros, que permanecia por cerca de uma hora. Depois, cuidadosamente, com água, retirado tal material.

Tavares Correia, jornalista por diletantismo, escreve em Tempos Novos (agosto de 1934), após a volta de uma excursão ao sul da Federação: "Quem viaja leva na imaginação essa curiosidade, insaciável e sofrega de conhecer e contemplar as novidades".

Como um obcecado, trouxe no pensamento o desejo ardente de contemplar os progressos da medicina, particularmente, da cirurgia, a ansiedade de percorrer os hospitais, estudando na grande lição do sofrimento humano, sem as graves preocupações que tanto inquietam o espírito do clínico ao assumir a tremenda responsabilidade da vida alheia, para enriquecer os seus conhecimentos na especialidade, a que me dedico, de cidadão e ginecologista.

Em outro trecho, Tavares Correia diz: "encontrei o meu mestre e amigo Dr. Malagueta, no hospital, na ocasião rodeado de  assistentes. Também visitei o serviço do Dr. Brandão Filho e Mauriti Santos". E, assim termina: Visitei o Paulo Filho, médico natural de Garanhuns, e que se vem constituindo, no mundo oftalmológico do Rio, um nome de projeção científica. Ainda não tive o ensaio de visitar o seu serviço hospitalar, que sei merecer louvores. Voltarei ao assunto para mostrar que no Brasil, a medicina e a cirurgia vão bem adiantadas e contamos com serviços modelares em nada inferiores aos grandes serviços clínicos da Europa, Argentina e Norte América.

Tavares Correia em abril de 1934 dava início à publicação de um boletim médico quinzenal, contando com a colaboração de Eurico Lira, Lessa de Azevedo e outros. No mundo esportivo, onde excursionou, fez parte da Diretoria do  Comércio Sport Club. No orfanato evangélico era o clínico, sem ônus para as crianças desamparadas pelos pais.

O Dr. Lessa em 1934 deixava Garanhuns e se instalava em Maceió-AL. Deixou o seu cliente curado sem necessidade de faca. Era casado com Ecilia Barcelos de Azevedo Lessa.

Tavares Correia e consorte Mercês tiveram quatro filhos. Pelos jornais da terra, na década de 1930, a gente vai tomando conhecimento do enriquecimento do lar do ilustre facultativo com o nascimento de; Maria Cristina (que foi Deputada Federal); Paulo Norberto (médico e hoteleiro), tendo por esposa Suzana Robalinho e os filhos - Ana Paula. José,  Carolina e Paulo José Robalinho Tavares Correia; Maria Lúcia (Línguas) e cônjuge Lívio Xavier (advogado) e os rebentos - Isabel, Daniel, Adriana Tavares Correia Xavier; Ridete (arquiteta) e os filhos: Ana, Luís Ricardo e Cristina Tavares de Lira e José Tavares de Lira.
Fonte: Livro "Os Aldeões de Garanhuns" de Alberto da Silva Rêgo.